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Justiça rejeita oferta de compra da São Fernando

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A proposta da Pedra Angular, veículo de investimento liderado pelo economista Winston Fritsch, para comprar a Usina São Fernando, que era da família de José Carlos Bumlai e teve a falência decretada em 2017, foi rejeitada pela Justiça sul-mato-grossense. Em despacho na segunda-feira, o juiz Jonas Hass Silva Júnior, da 5ª Vara Cível de Dourados, julgou que a oferta da Pedra Angular não oferecia garantias de que os investidores tinham capacidade financeira e não financeira para tocar o negócio.

Fritsch e os investidores Rodrigo Aguiar, que presidiu a Tonon Bioenergia, e Paulo Vasconcellos, fundador da Energias Renováveis do Brasil, haviam ofertado R$ 825 milhões pela usina de Dourados, com pagamento em 20 anos, sendo R$ 10 milhões à vista. O juiz avaliou que a Pedra Angular é “incapaz de assumir tamanho compromisso” e que capital social da empresa “é ínfimo ante o tamanho das dívidas, do capital da massa falida, e do fluxo de caixa diário da massa falida”. Ele ressaltou que o prazo de pagamento significaria que menos de 10% da proposta seria paga nos cinco primeiros anos. A decisão refletiu o parecer de oito credores que representam 60% da dívida da usina, de R$ 1,5 bilhão, e que pediram a rejeição da proposta ao juiz. Foram eles o Banco do Brasil, o BNDES, a consultoria EXM Partners, a Agrofield Centro-Oeste, o BNP Paribas, a John Deere Brasil e a Monteverde Agro Energética.

Segundo uma fonte, que prefere o anonimato, os credores consideraram que a proposta estava abaixo do valor avaliado da usina e não contemplava os investimentos necessários. O valor de R$ 825 milhões, trazido a valor presente, considerando-se a Selic em 6,5% ao ano, representaria menos de R$ 350 milhões. O montante equivale a menos da metade do valor avaliado da usina, disse.

O único credor relevante favorável à proposta foi o Grupo Bertin, através da holding Heber Participações, que detém 11% do crédito da Usina São Fernando. O grupo foi sócio da usina até 2011, quando vendeu sua participação aos Bumlai. O juiz determinou que o administrador judicial, a VC Perícia, apresente um novo edital em 30 dias para a realização de um outro leilão, com propostas fechadas.

Entretanto, alguns credores importantes estão articulando a possibilidade de viabilizar um arrendamento da unidade de cogeração de energia a partir do bagaço de cana anexa à usina.

A alternativa foi apresentada pela EXM Partners ao Banco do Brasil e ao BNDES e para duas companhias geradoras de energia elétrica, que poderiam se interessar no arrendamento. “Iniciamos as conversas quando vimos que a proposta da Pedra Angular poderia não ser aceita”, afirmou Wendel Caleffi, sócio da EXM. Essa alternativa poderia levantar recursos para amortizar parte da dívida da São Fernando com seus credores. O aluguel da unidade estaria condicionado a um investimento por parte da empresa arrendatária de aproximadamente R$ 250 milhões no plantio de cana, já que a oferta de matéria-prima em Dourados está baixa. A arrendatária obteria receita com a venda da cana à usina e de energia cogerada ao mercado.

Segundo Caleffi, a EXM pretende procurar empresas que vencerem o leilão A-4, de venda de energia no mercado regulado, que ocorrerá no próximo dia 4. O investimento requerido, portanto, seria para o plantio de cana, e não para erguer uma unidade de geração de energia nova, afirmou. Caso essa opção não dê certo, outra possibilidade seria buscar interessados no leilão A-6, programado para ocorrer no segundo semestre.
Para cobrir o período em que a usina ainda não estiver entregando energia no leilão, a EXM elaborou um modelo que leva em consideração um preço médio de energia elétrica no mercado spot de R$ 200 por megawatt-hora.

Fonte: Valor Econômico 

 

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