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Produção de cana supera as expectativas

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A safra sucroalcooleira 2017/18 do Centro-Sul terminou com uma produção de açúcar e de etanol hidratado superior às estimativas iniciais do mercado e da indústria devido à forte recuperação do rendimento da cana-de-açúcar, favorecida pelo clima, e volume maior de matéria-prima moída.

A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que a moagem de cana do ciclo somou 596,313 milhões de toneladas, redução de apenas 1,78% ante 2016/17. No início da temporada, porém, a própria associação estimara que a moagem seria menor, de 585 milhões de toneladas.

Surpreendeu particularmente o teor de sacarose na cana, medido pela quantidade de açúcares totais recuperáveis (ATR), que ficou em 136,6 quilos por tonelada de cana moída, um aumento de 2,68% ante a safra passada. No total, portanto, a quantidade de sacarose nas usinas foi de 81,457 milhões de toneladas, um leve aumento de 0,85%.

A estimativa inicial era que o ATR total ficaria em 78,624 milhões de toneladas. O ATR é influenciado pelo clima. Quanto mais seco o tempo, como se observou durante o inverno, maior a concentração de sacarose na cana.

Esse maior rendimento compensou a redução da produtividade no campo. Segundo dados o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade ficou em 75,99 toneladas por hectare, queda de 1,02%.

Como isso, as usinas do Centro-Sul puderam elevar sua produção de açúcar em 1,21%, para 36,059 milhões de toneladas – acima da estimativa inicial da Unica, de 35,2 milhões de toneladas.

A produção só não foi maior devido à mudança de mix no meio da safra. No acumulado de 2017/18, 46,46% da sacarose foi para produzir o açúcar, mais que na safra anterior, mas abaixo dos 46,99% estimados. A produção de etanol também aumentou, mas o crescimento foi voltado ao hidratado, que ficou mais competitivo ante a gasolina principalmente após mudanças tributárias. Foram produzidos 15,672 bilhões de litros de etanol hidratado, um crescimento de 4,49% ante a safra passada e acima dos 13,861 bilhões projetados inicialmente.

Já a produção de etanol anidro, misturado à gasolina, caiu 2,19%, a 10,420 bilhões de litros, dada a migração da demanda do combustível fóssil para o etanol hidratado. A previsão era de 10,838 bilhões de litros. Do volume total de etanol produzido, a Unica identificou que 521,58 milhões de litros foram fabricados a partir do milho, alta de 123% em relação a 2016/17.

Para o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, o maior destaque foi a alta na produção de etanol hidratado. “Mesmo com retração no volume de cana, o setor ampliou a oferta do renovável em mais de 650 milhões de litros”. Em toda a safra, operaram 278 usinas. (Valor Econômico)

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