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Importação de açúcar indiano não deve sustentar preços, dizem analistas

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A decisão do governo da Índia de liberar a importação de 500 mil toneladas de açúcar, sem taxas, pode até ter movimentado o mercado no início do pregão de quarta-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), mas foi insuficiente para trazer um suporte mais consistente aos contratos da commodity. Segundo analistas, o volume veio bem abaixo do necessário para trazer novamente um sentimento altista.

"É pouquíssimo, 500 mil toneladas não são suficientes para modificar a estrutura do mercado. Nossa estimativa era de que eles iriam comprar pelo menos 2 milhões de toneladas para não deixarem seus estoques recuarem", disse Bruno Lima, chefe de açúcar e etanol na INTL FCStone.

Analistas estimavam que o anúncio poderia eventualmente balançar todas as posições compradas no mercado. Especuladores já reduziram suas apostas na alta dos preços nas últimas semanas. No curto prazo, ainda há uma escassez de sinais altistas para a commodity. O Brasil iniciou um novo ano-safra, e a produção de açúcar deve atingir um recorde, segundo a INTL FCStone.

"Minha opinião pessoal é de que tentaremos novamente testar o suporte de 16 centavos (de dólar por libra-peso)", disse Claudiu Covrig, analista sênior de pesquisa na Platts Kingsman, unidade da S&P Global.

Preço interno na Índia

A decisão do governo de autorizar até junho a importação de açúcar sem taxa e em uma quantidade específica não deve ser suficiente para reduzir os preços internos, disse o diretor da Federação Nacional de Cooperativas de Fábricas de Açúcar do país, Prakash Naiknavre. "Como o montante liberado para importação não é muito contra o consumo local, não pensamos que haverá qualquer impacto na indústria doméstica e nos preços no varejo. A tendência é de estabilidade", disse.

 
Fonte: Dow Jones Newswires

 

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Mercado de açúcar enfrenta tempestade perfeita com efeito El Niño, mudança de posição dos fundos e quebras de safra global Especialistas apontam volatilidade histórica, revisões para baixo na produção do Centro-Sul brasileiro e desafios industriais com a cana no campo. São Paulo, outubro de 2026 – O mercado global de açúcar e commodities vive um momento de forte volatilidade e reconfiguração de cenários, impulsionado por fatores macroeconômicos e climáticos. A discussão fez parte da programação desta terça-feira, 27 de outubro, durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol. Durante o painel “Fundamentos do Mercado Internacional de Açúcar”, moderado por Thiago Duarte, Associate Partner do BTG Pactual, e com a participação de lideranças do setor, representado por Jeremy Austin (Diretor Geral da Sucden Brasil), Mario de Rezende Barbosa (Diretor de Estratégia da LDC) e Paulo Garcia (CEO da Vital Commodities), foram debatidos os impactos do fenômeno El Niño, o comportamento especulativo dos fundos e os gargalos na produção do Centro-Sul do Brasil, além de quebras nas safras da Índia e da Europa. O papel do El Niño e a virada histórica dos fundos O mercado internacional registrou uma reviravolta histórica na posição dos fundos especulativos e em contratos em aberto, impulsionado por uma tempestade perfeita macroeconômica que envolveu o avanço do El Niño e conflitos geopolíticos. O moderador Thiago Duarte relata que aprendeu com Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, que nenhuma safra é igual à outra, todas têm suas características próprias, o que fica evidente no ciclo de produção atual. “O mercado muda muito, tem o El Niño que está agindo muito, tem parte especulativa que foi comprando, estavam com 100 mil lotes vendidos, agora são 120 mil lotes comprados. O El Niño que está atingindo antes do previsto o Centro-Sul do Brasil, então a produção está mais complicada, mais atrasada com chuvas”, diz Jeremy Austin, Diretor Geral da Sucden Brasil. Revisão de safra e desafios industriais no Centro-Sul No Brasil, a produção enfrenta atrasos e perdas consideráveis. A necessidade de maximizar o açúcar o mais cedo possível e o comportamento dos fundos frente aos fundamentos foram pontuados por Mario de Rezende Barbosa, Diretor de Estratégia da LDC. “Virou algo muito mais macro do que o próprio fundamento do açúcar; o açúcar foi comprado em busca de commodity por muitos fatores. A maximização de açúcar o mais cedo possível faz parte da premissa que estamos usando hoje”, considera. No entanto, a gestão desse volume traz desafios operacionais severos para a indústria, como a cana “pisada” e as incertezas sobre o calendário de moagem. “Eu ouço muito dizer que as usinas vão começar em março; eu acho muito difícil que isso aconteça, porque quando todas as usinas estão se organizando para moer próximo ao Natal. Todas elas passam por uma entressafra e vão estar entregando seus equipamentos e os prestadores de serviço em janeiro”, acredita Paulo Garcia, CEO da Vital Commodities. Cenário internacional: Índia e Europa Os participantes do painel também falaram sobre o cenário internacional, pontuando que tanto a Índia quanto a Europa registraram quedas expressivas em suas estimativas de produção, pressionando ainda mais a balança global e reduzindo os excedentes exportáveis frente à lentidão nos embarques indianos e à diminuição de área plantada no continente europeu.

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

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