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“Estamos de olho em oportunidades nos mercados de etanol, açúcar e energia”

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A Raízen Energia, uma joint venture entre a petroleira anglo-holandesa Shell e a brasileira Cosan, é uma “queridinha” do mercado. Sete anos depois da fusão, a nova companhia já é considerada uma das melhores empresas para se trabalhar.

Com mais de R$ 2 bilhões previstos para serem investidos no curto prazo, seu presidente, Luís Henrique Guimarães, tem pela frente o desafio de gerir a maior companhia sucroenergética global. Entre os desafios para 2018, as reformas trabalhista e previdenciária não impactam tanto a empresa quanto a sonegação. O potencial rombo anual é de R$ 1 bilhão para refinarias e importações fraudulentas e de R$ 4,8 bilhões para revendedoras que são barriga de aluguel.

Quais são as prioridades para a Raízen em 2018?
Como somos um player integrado no setor de energia, investindo em diferentes formas de energia essenciais no dia a dia das pessoas, estamos focados na satisfação de nossos clientes e na qualidade de nossos produtos, garantindo sempre a total segurança de nossas operações. Na distribuição de combustíveis, nosso foco é consolidar nossa relação estratégica com os parceiros empresários que tocam as mais de 6 mil revendas Shell em todo o país, além de continuar apostando em infraestrutura para maior capilaridade logística. Estamos bem estruturados para trazer o que há de melhor em produtividade e eficiência usando inovação e tecnologia no setor sucroenergético, de olho em oportunidades nos mercados de etanol, açúcar e também de energia a partir da biomassa. Este ano iremos iniciar a construção de nossa primeira planta de biogás – uma contribuição importante para a sociedade com energia limpa e previsível.

Quais são os fatores externos ao negócio que têm condições de impactar a operação em 2018?
Independentemente de como se dará o processo eleitoral, é importante darmos prosseguimento à retomada econômica tão aguardada pelos brasileiros, contribuindo para um ambiente propício ao investimento e à geração de empregos, com previsibilidade regulatória e jurídica e maior fiscalização para combater as práticas irregulares no setor. Outros fatores de influência externa são o preço do açúcar no mercado global e o do barril de petróleo.

Qual é a estratégia de negócio para este ano?
Em 2017, adquirimos duas novas unidades de produção de açúcar, etanol e bioeletricidade no interior de São Paulo, e a sanção do RenovaBio é uma sinalização importante do governo para a continuidade dos investimentos em biocombustíveis, uma vantagem competitiva do nosso país em linha com a agenda global de uma matriz energética mais limpa.

Nos últimos anos, a empresa tem investido fortemente nesta tendência, que se manterá com a operação da planta de etanol de 2ª geração e cogeração de energia, por meio de biomassa. A Raízen é hoje a maior produtora de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar no Brasil e nossas unidades são autossuficientes no consumo de energia, sendo que 13 delas já exportam eletricidade a partir da biomassa.

Há ainda o projeto de produção de biogás, conquistado em abril de 2016, que vai produzir biogás para gerar energia elétrica utilizando torta de filtro e vinhaça (resíduos industriais) como insumo. A evolução de nosso nível de atendimento e satisfação dos clientes, por meio da parceria que temos com revendedores também é crucial para continuarmos entregando produtos de qualidade e com excelência em todo o país.

A empresa já é considerada uma das mais desejadas para se trabalhar. A que o senhor atribui isso?
Temos um time que faz a diferença, com muita capacidade de realização em uma agenda de projetos e iniciativas que permitem desenvolvimento e crescimento. Além disso, atuamos em um segmento que é vital na vida das pessoas. Nossos negócios são abrangentes e envolvem toda a cadeia de produção. Isso tudo contribui para esse reconhecimento e para que as pessoas tenham vontade de se juntar a nós e também fazer acontecer, crescendo junto com a Raízen. Damos a oportunidade para que as pessoas atinjam seu potencial e contribuam para o desenvolvimento de nosso país.

Quais seriam hoje os principais obstáculos para a Raízen se desenvolver no Brasil e por quê?
O setor de combustíveis é extremamente competitivo, com players de diversos portes e características. O impacto da carga tributária tem o efeito de gerar fraude fiscal e as vulnerabilidades deste sistema facilitam a atuação dos devedores contumazes. Apenas no setor de combustíveis, o potencial do rombo anual é de R$ 1 bilhão para refinarias e importações fraudulentas e de R$ 4,8 bilhões para revendedoras que são barriga de aluguel.

Nos últimos anos, o setor conviveu com aumento da fraude por sonegação e inadimplência fiscal, feitas por empresas sem capital, ativos e geridas por “laranjas”, que geraram grandes perdas aos Estados e a Federação, além do lançamento de créditos indevidos de ICMS subdeclarados.

Nesse sentido, temos apoiado o movimento Combustível Legal, junto à Plural (ex-Sindicom) e demais parceiros como Fiesp, Fecombustíveis, Sincopetro, Regran, IBP, ETCO, OAB, Brasilcom e Unica. O combate a fraudes e a sonegação na cadeia de combustíveis tem sido feito através de discussões entre governo, judiciário e legisladores. A ideia é reforçar a necessidade de um ambiente ético em que todos os envolvidos paguem corretamente seus tributos e, assim, estimulem uma concorrência saudável e garantam investimentos para fazer frente ao crescente desafio de abastecer o Brasil que volta a crescer.

Texto extraído do Portal da Unica

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