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Inovação: Inoculante para fixação biológica de nitrogênio para cana é lançado pela Basf e Embrapa

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Amplamente utilizada na cultura da soja brasileira, a tecnologia da fixação biológica de nitrogênio por meio de um inoculante bacteriano chega agora ao mercado para aumentar a produtividade da cana-de-açúcar. A solução, batizada de Aprinza, foi criada em desenvolvimento conjunto entre a Embrapa e a Basf efoi lançada nesta quarta-feira, 28, em São Paulo, integrando o Muneo® BioKitda Basf. “Trata-se de um novo conceito de inoculante microbiológico líquido, que contém uma espécie de bactéria fixadora de nitrogênio e promotora de crescimento descrita como Nitrospirillum amazonense”, explica a pesquisadora Verônica Reis, responsável pela pesquisa na Embrapa.

De acordo com a pesquisadora, a espécie foi inicialmente obtida de plantas crescidas na Amazônia Brasileira, mas também foi isolada de cereais e da própria cana, colhidos em diferentes regiões do País.“Os benefícios decorrentes da inoculação com o Aprinza estão relacionados ao crescimento e desenvolvimento da cana-de-açúcar, culminando no aumento da produtividade do cultivo”, aponta.

O chefe-geral da Embrapa Agrobiologia, Gustavo Xavier, explica que o Aprinza é o primeiro inoculante desenvolvido especialmente para o uso na cana-de-açúcar (Saccharumofficinarum) e representa um marco para a Embrapa, que há mais de duas décadas realiza pesquisas sobre FBN em cana-de-açúcar. “Esse insumo biológico faz parte de uma tendência mundial para garantir a sustentabilidade do agro com menor custo de produção. A tecnologia é comemoradapois é resultado de pesquisa de qualidade, realizada com persistência e criatividade”, afirmou o gestor.

 

Produtividade pode aumentar até 18%

 

O Aprinza contém como ingrediente um ativo biológico selecionado pela Embrapa e testado em campo por mais de cinco anos, em diferentes condições de solo e clima. Testes realizados pela Basf em parceria com universidades brasileiras apontaram um aumento de produtividade da cultura de 9% a 18%. “A partir do isolamento da bactéria e da identificação do potencial de mercado, foram desenvolvidos processos industriais de fermentação e formulação compatíveis ao tipo de organismo e pretensão de uso do produto em áreas agrícolas”, explica Verônica Reis.

Por ser biológico, o produto não deixa resíduos químicos no campo, ao contrário dos fertilizantes, sendo seguro ao meio ambiente e à saúde humana. “Também não deixa resíduos no açúcar e no álcool, além de oferecer segurança ao aplicador”, destaca a pesquisadora, ao apontar a sustentabilidade do Aprinza.

O desenvolvimento tecnológico da formulação contou ainda com a participação de instituições públicas, como a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM). O Aprinza já está autorizado para uso pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, para acesso ao patrimônio genético para a bactéria acessada em território brasileiro, e também pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com o registro de produto promotor de crescimento para a agricultura.

O diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares, disse durante o evento que o lançamento do Aprinza mostra que o futuro se conecta ao presente. “Estamos falando nesse dia de uma agricultura de futuro já presente nos nossos cultivos, que é a agricultura de base biológica”. Segundo o diretor, a tecnologia antecipa o que ele classifica como a terceira onda da agricultura tropical, precedida pela revolução verde e pela atual agricultura que busca a integração dos sistemas.

 

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