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Ásia deve provocar novo superávit global de açúcar

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Maior centro consumidor de açúcar do planeta, a Ásia vive um momento de expansão de produção da commodity e deve garantir que o mundo passe por mais uma safra com oferta de sobra e estoques elevados, desbancando a histórica hegemonia do Brasil. Esse é o cenário previsto por grandes consultorias nas últimas semanas, o que aumenta a pressão sobre o mercado de açúcar, em queda há quase dois anos.
Na sexta-feira, a consultoria INTL FCStone previu que o mundo terá excedente de 7 milhões de toneladas na safra internacional 2018/19 (que começa em outubro), após superávit de 10,8 milhões na safra atual, a 2017/18.
A estimativa mais modesta de excedente para o ciclo 2018/19 é de 5 milhões de toneladas, divulgada pelo Rabobank em junho. Esse número é metade do superávit que o banco estima na safra atual. Já a S&P Global Platts apresentou a projeção mais elevada, de superávit 11,9 milhões de toneladas, acima do estimado para a temporada atual. Outras consultorias divulgaram projeções mais comedidas, como a Informa Economics e a Green Pool.

Ainda que a maioria das consultorias estime que o superávit será menor na próxima safra, o excedente deve se acumular nos estoques, elevando o volume armazenado para o equivalente a mais de 45% da demanda global, conforme a maioria das projeções. Historicamente, as cotações sofrem pressão quando tal nível supera 40%.

Na sexta-feira, os contratos de açúcar mais negociados na bolsa de Nova York, com vencimento em outubro, fecharam pela primeira vez desde junho de 2015 abaixo dos 11 centavos de dólar a libra-peso, a 10,96 centavos de dólar. No ano, a queda acumulada é de 27,7%.
O destaque nas estimativas de produção é a Índia. Apesar dos preços do açúcar estarem abaixo dos custos de produção no país, o clima tem sido generoso com o setor, assim como o governo, que tem dado apoio financeiro e estimulado formação de estoques.
As projeções indicam que a produção na Índia deve bater novo recorde na safra 2018/19, levando o país a assumir com folga a liderança global da produção. Para o Rabobank, a Índia produzirá 35,5 milhões de toneladas, enquanto a Green Pool prevê 32 milhões de toneladas. Tal produção deve superar até o consumo interno, o maior do mundo, permitindo exportações.

A China, segundo maior consumidor, também deve elevar sua produção. Segundo a FCStone, as usinas do país fabricarão 10,8 milhões de toneladas em 2018/19, aumento de 5%, reduzindo sua necessidade de importação.

A Tailândia, que tem cumprido um plano de crescimento da produção nos últimos anos e operou com duas usinas a mais nesta safra, também é destaque. Em 2017/18, bateu o recorde de produção com 15,7 milhões de toneladas. Para a Informa Economics, o país será um dos motivos para o novo excedente. Já a Platts e o Rabobank avaliam que a área de cana no país pode perder um pouco de espaço para a borracha e a mandioca.
Fora da Ásia, a União Europeia também deve ser destaque na próxima temporada, embora as perspectivas sejam de uma produção um pouco menor que em 2017/18. O Rabobank projeta 20 milhões de toneladas de produção, mas ressalta, em relatório, que o número é suscetível a mudanças de clima, ao andamento do cultivo de beterraba e à produção de etanol.
No Brasil, as consultorias estimam que a produção cairá drasticamente ante a maior demanda por etanol. Contudo, nenhuma delas aposta que a redução da oferta de açúcar no país enxugará o excedente global nos dois ciclos, embora o cenário para a safra 2018/19 ainda seja incerto.

Fonte: Valor Econômico 
 

 

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