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Produtores se mostram preocupados com micronutrientes e apostam na biofortificação do solo

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Engenheiro agrônomo comenta sobre a utilização de fertilizantes premium e defende a necessidade de micronutrientes em produtos de primeira ordem 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o aumento do poder aquisitivo e o maior acesso e consumo de alimentos podem acarretar em problemas relacionados à segurança alimentar. Um fenômeno já identificado na Europa e na Ásia Central mostra que, mesmo com o maior acesso aos alimentos, há deficiência nutricionais nos indivíduos. Ficou evidente que, por mais que a subnutrição tenha sido superada, ainda há deficiência de micronutrientes. 

No Brasil, o cenário não é muito diferente. Segundo a entidade, a crise econômica, o aumento do desemprego e a falta de um programa de segurança alimentar adequado podem aumentar o número de pessoas subnutridas. O último levantamento da FAO mostra que 2,5% da população brasileira estão nessa situação e que mais de 800 milhões de pessoas em países em desenvolvimento estão desnutridas. A falta de diversidade alimentar ou escassez de alimentos são algumas das características da subnutrição. Além dessas, a ausência de nutrientes (vitaminas e minerais) em alimentos essenciais, como arroz, trigo e milho, também contribui para esse cenário. O engenheiro agrônomo da Yoorin Fertilizantes Vinádio Bega acredita que novas tecnologias podem contribuir para que os alimentos possam ser biofortificados.

“Os micronutrientes são de extrema importância para a população. A baixa concentração de vitamina A, ferro, zinco e iodo, por exemplo, são responsáveis por mudanças no sistema imunológico, diminuição da resistência em doenças infecciosas, anemia, alterações no desenvolvimento cerebral e até mesmo no aumento da mortalidade infantil e materna”, afirma Vinádio.

A agricultura pode reverter esse quadro desde a plantação. Após uma análise química do solo, podem ser identificadas possíveis deficiências de micronutrientes na região. Com isso, hoje são adotadas algumas estratégias, como o uso de fertilizantes premium de liberação gradual que não envolvam processos químicos em sua confecção – um tipo de insumo que causa menos impacto ao meio ambiente.

“Observamos por muito tempo um movimento dos agricultores preocupados apenas com o incremento da produtividade. Hoje isso mudou: estamos observando consumidores mais críticos e seletivos em suas escolhas nutricionais, e isso também reflete no campo”, avalia o engenheiro agrônomo.
A utilização de defensivos químicos em excesso, sem zelo por parte do produtor, e um preparo do solo irresponsável podem acabar com os micronutrientes necessários para um alimento sadio e diferenciado. Contudo, percebendo essa realidade, os produtores passaram a analisar melhor os aspectos relacionados à nutrição do solo. Um estudo publicado no Journal of Experimental Botany, da Universidade de Oxford (EUA), comprovou que, para haver uma biofortificação do produto final, devemos mudar toda a cadeia, passando por uma biofortificação genética da semente e uma biofortificação agronômica a fim de obter alimentos ricos em micronutrientes. “Os produtores automaticamente já fazem a seleção genética das melhores mudas. Isso já é um passo importante, mas para ter o aumento de teores de minerais por meio de práticas agronômicas, existem diversas opções, inclusive as que não impactam o meio ambiente”, lembra Vinádio.

O uso de fertilizantes premium é essencial para um preparo adequado da terra. Como o solo brasileiro é muito ácido, alguns produtos, como o fertilizante termofosfato, equilibram o PH, corrigindo a acidez, não agridem a microbiota já presente e protegem o fósforo. Também são insolúveis em água, o que faz com que sejam absorvidos pelas plantas apenas quando necessário, além de serem fonte de silício, cálcio, magnésio e outros micronutrientes.

“O silício do termofosfato magnesiano pode deformar as mandíbulas de larvas, como a “broca da cana”, além de proteger de certos tipos de fungos. No mais, um nível equilibrado de magnésio, também presente no termofosfato, atua no sistema radicular das plantas, na clorofila e também na fotossíntese, tornando-as mais fortes e sadias”, comprova o engenheiro agrônomo. 
 

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