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Trump pressiona Coca-Cola para usar açúcar de cana, mas empresa tem dificuldades

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Entrave mostra dificuldades de empresas para se adaptarem às vontades do republicano; nos EUA, companhia tradicionalmente usa xarope de milho de alta frutose para adoçar bebidas

O presidente Donald Trump pressionou a Coca-Cola a fabricar uma versão do refrigerante usando açúcar de cana produzido nos Estados Unidos. O problema é que a empresa não consegue obter açúcar suficiente, nem capacidade de produção, para lançar o produto em larga escala.

Em entrevista à Bloomberg News nesta terça-feira, 21, o diretor financeiro John Murphy afirmou que a fabricante de bebidas está começando a lançar uma Coca-Cola feita com açúcar de cana americano, mas que o avanço é limitado pela oferta doméstica e pela capacidade de ampliar a produção em garrafas de vidro.

“Será um lançamento gradual”, disse Murphy. “Há uma quantidade limitada de açúcar de cana disponível nos Estados Unidos”.

Os comentários de Murphy ressaltam os desafios enfrentados por empresas americanas quando tentam adaptar suas operações às vontades de Trump.

Além de lidar com tarifas, políticas comerciais voláteis e os efeitos da paralisação do governo – que ameaça pagamentos de assistência alimentar –, as companhias do setor alimentício também estão sob pressão para adotar ingredientes considerados mais naturais.

Trump havia anunciado, em uma postagem no Truth Social no início deste ano, que a Coca-Cola planejava lançar um novo produto feito com açúcar de cana americano. Posteriormente, a empresa confirmou que lançaria uma nova bebida com o ingrediente ainda em 2025.

Nos EUA, a Coca-Cola tradicionalmente utiliza xarope de milho de alta frutose, que é mais barato do que o açúcar de cana, para adoçar seu principal produto. No entanto, uma versão mais cara, adoçada com açúcar de cana importado do México, vinha ganhando popularidade entre os consumidores.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, a produção doméstica de açúcar de cana representa cerca de 30% da oferta total de açúcar do país. O restante vem da beterraba sacarina, além de importações do México e de outros países.

Murphy afirmou que, além da limitação na oferta de açúcar, a capacidade de produção em garrafas de vidro também restringe a expansão do novo refrigerante.

“Se você observar o sucesso da Coca mexicana nos Estados Unidos, verá que se trata de uma combinação entre o produto e a embalagem, e queremos muito oferecer essa mesma combinação usando açúcar de cana americano”, disse ele.

Segundo Murphy, a produção em garrafas de vidro precisa ser ampliada para que o novo produto possa ser distribuído de forma mais ampla, já que o processo é diferente daquele usado em latas. Por enquanto, a empresa planeja um lançamento em fases, que começará em alguns mercados e lojas selecionadas, antes de uma expansão mais ampla prevista para 2026.

Bloomber| Kristina Peterson

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