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Adecoagro registra moagem recorde no 3º trimestre, mas clima reduz produtividade e pressiona resultados

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A Adecoagro encerrou o terceiro trimestre de 2025 com o maior volume de moagem trimestral de sua história, mesmo diante de um cenário climático adverso e de preços globais menos favoráveis ao açúcar. Segundo o balanço divulgado pela companhia, foram processadas 4,86 milhões de toneladas de cana, alta de 20,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Ainda assim, a produtividade caiu em relação a 2024, refletindo os efeitos da seca, das chuvas irregulares e de uma forte geada no fim do segundo trimestre.

A empresa registrou 63 t/ha de produtividade no trimestre, queda de 7,5%, e um ATR médio de 136 kg/t, recuo de 7,1%. No acumulado dos nove meses da safra, a moagem somou 9,79 milhões de toneladas, 3,8% abaixo de 2024, devido ao ritmo mais lento no início da safra e às condições climáticas que limitaram a moagem no segundo trimestre.

Mesmo com a menor qualidade da matéria-prima, a companhia ampliou sua capacidade industrial e direcionou o mix para combustíveis, favorecida pelo prêmio do etanol sobre o açúcar no Mato Grosso do Sul. A produção de etanol chegou a 248,1 mil m³, avanço de 42%, com forte predominância do hidratado, que cresceu 60,3%. Já o açúcar somou 255,6 mil toneladas, queda de 15,7%, refletindo a mudança deliberada no mix. No total de açúcar total recuperável equivalente produzido, o trimestre encerrou com 685,4 mil toneladas, 11,8% acima do ano anterior graças ao maior volume de cana processada.

No segmento de energia, a Adecoagro exportou 252 mil MWh, alta de 3,9% sobre 2024. A eficiência, porém, caiu para 51,9 kWh/t, já que a companhia optou por estocar bagaço visando melhores oportunidades de venda à frente, em vez de elevar a geração no spot.

As vendas, contudo, não acompanharam o desempenho operacional. A receita do segmento de açúcar, etanol e energia recuou 42,1%, para US$ 131,1 milhões, pressionada pela queda dos preços internacionais do açúcar e por menores volumes comercializados. Mesmo com o avanço da produção de etanol, a empresa reteve parte dos estoques — 44% do volume acumulado no ano — o que reduziu as vendas no trimestre. O preço médio do açúcar vendido caiu 10,4%, enquanto o etanol registrou leve alta, mas sem compensar a retração nos volumes.

Receitas encolhem e lucro perde fôlego no trimestre

Apesar disso, o EBITDA ajustado do segmento avançou para US$ 120,5 milhões, crescimento de 20,3%, apoiado principalmente no ganho de US$ 36,3 milhões na reavaliação de ativos biológicos, na melhora do hedge de commodities e na redução das despesas de vendas. No acumulado do ano, porém, o indicador soma US$ 218,4 milhões, queda de 15,6%, refletindo o menor volume vendido de açúcar e o impacto do clima sobre a qualidade da cana.

Nos números consolidados, a Adecoagro reportou US$ 323,3 milhões em vendas totais, retração de 29,2%, e EBITDA ajustado de US$ 115,1 milhões, alta de 3,7%. O lucro líquido caiu para US$ 6,4 milhões, enquanto o lucro ajustado somou US$ 25,7 milhões, leve baixa de 7,9%. No acumulado dos nove meses, o lucro ajustado é negativo em US$ 1,8 milhão, frente a US$ 156,6 milhões no ano anterior, resultado da combinação entre margens mais estreitas, maiores custos, juros mais altos e efeitos cambiais.

A dívida líquida subiu para US$ 871,5 milhões, consequência principalmente da antecipação de US$ 96 milhões referente à aquisição de 50% da Profertil — maior produtora de ureia granulada da América do Sul — e da queda na geração de caixa. Com isso, a alavancagem atingiu 2,8x EBITDA, ante 1,5x em 2024.

Natália Cherubin para RPAnews

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