Com retração na moagem, queda no ATR e avanço estrutural do etanol de milho, setor fecha a primeira quinzena de dezembro com oferta mais curta de cana
Na primeira quinzena de dezembro, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 5,92 milhões de toneladas de cana, volume 32,8% abaixo das 8,81 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra 2024/2025. No acumulado da safra 2025/2026 até 16 de dezembro, a moagem alcançou 598,19 milhões de toneladas, frente a 612,67 milhões de toneladas no mesmo período do ciclo anterior, o que representa recuo acumulado de 2,36%.
Na primeira metade do mês, 90 unidades produtoras estavam em operação na região, sendo 71 usinas com processamento de cana, dez empresas produtoras de etanol a partir do milho e nove usinas flex. No mesmo período da safra passada, 127 unidades estavam em funcionamento. Desde o início da safra, 208 unidades já haviam encerrado as operações até 16 de dezembro, contra 209 usinas no mesmo período do ciclo anterior, e outras 36 unidades informaram intenção de encerrar a safra na segunda quinzena do mês. A qualidade da matéria-prima também seguiu pressionada: o ATR médio acumulado até 16 de dezembro ficou em 138,38 kg por tonelada, uma queda de 2,21% na comparação anual.
A produção de açúcar nos primeiros quinze dias de dezembro totalizou 254,24 mil toneladas, com queda de 28,66% frente às 356,35 mil toneladas registradas no mesmo período da safra 2024/2025. No acumulado da safra até 16 de dezembro, no entanto, a fabricação do adoçante atingiu 40,16 milhões de toneladas, acima das 39,81 milhões de toneladas do ciclo anterior.
Etanol sustenta o mercado, com avanço do milho e do anidro
Na mesma janela, a produção de etanol no Centro-Sul somou 740,61 milhões de litros, sendo 393,59 milhões de litros de hidratado (-20,62%) e 347,02 milhões de litros de anidro (+30,18%). No acumulado da safra até 16 de dezembro, a fabricação do biocombustível alcançou 30,27 bilhões de litros (-5,37%), dos quais 18,72 bilhões de litros de hidratado (-8,17%) e 11,55 bilhões de litros de anidro (-0,43%).
Dentro desse volume, o etanol de milho ganhou protagonismo. Na primeira quinzena de dezembro, 54,14% do etanol produzido teve origem no cereal, com 400,96 milhões de litros, frente a 377,97 milhões de litros no mesmo período da safra 2024/2025, uma alta de 6,08%. No acumulado da safra até 16 de dezembro, a produção de etanol de milho somou 6,43 bilhões de litros, avanço de 14,49% na comparação anual.
As vendas de etanol permaneceram firmes. Na primeira quinzena de dezembro, o volume total comercializado atingiu 1,53 bilhão de litros, sendo 582,49 milhões de litros de etanol anidro (+18,03%) e 943,22 milhões de litros de hidratado (+8,18%). No mercado doméstico, o etanol hidratado vendido totalizou 893,98 milhões de litros (+5,53%), enquanto o anidro alcançou 582,49 milhões de litros (+18,38%). No acumulado da safra até 16 de dezembro, a comercialização total de etanol somou 24,85 bilhões de litros (-1,64%), com 15,47 bilhões de litros de hidratado (-5,34%) e 9,37 bilhões de litros de anidro (+5,14%).
No mercado regulado de descarbonização, os dados da B3 mostram que, em 2025, a emissão de CBios pelos produtores de biocombustíveis alcançou 43,14 milhões de créditos, o maior volume anual desde o início do RenovaBio. Já a quantidade aposentada pelos distribuidores de combustíveis somou 40,06 milhões, o que resultou em um saldo de passagem para 2026 de aproximadamente 19,50 milhões de CBios.