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Agrion pretende produzir 500 mil t de fertilizante por ano com resíduos de cana

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A Agrion Fertilizantes do Brasil tem como meta a produção de meio milhão de toneladas de fertilizantes feitos a partir de resíduos de cana-de-açúcar até 2031, o que ajudaria o país a compensar a exposição a riscos geopolíticos, disse o fundador e presidente-executivo Ernani Judice na quarta-feira, 11.

O Brasil, um gigante agrícola, é o maior produtor de açúcar do mundo e cultiva centenas de milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano. Ao mesmo tempo, importa a esmagadora maioria dos fertilizantes que utiliza, expondo seu setor agrícola ao fluxo e refluxo das tensões globais.

Os ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã nas últimas semanas elevaram os preços do petróleo e de outras commodities, o que deixou em evidência a dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes.

O Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes que utiliza a cada ano, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Além disso, estima-se que 41% de suas importações de ureia, um componente importante em alguns fertilizantes, passaram pelo Estreito de Ormuz antes de chegar ao Brasil em 2025, segundo dados da consultoria Agrinvest.

“O Brasil importa 20% de seus fertilizantes de países sempre com questões geopolíticas”, disse Judice durante apresentação em um evento do setor realizado em Ribeirão Preto (SP). “Agora, tem a questão com o Irã, séria, mas todo ano acontece alguma coisa”, completa.

A empresa é apoiada pelo Global Fund for Coral Reefs, que até o momento investiu US$ 20 milhões na Agrion e pode aumentar essa soma para US$ 50 milhões, disse Judice à margem do evento.

A Agrion utiliza resíduos de cana-de-açúcar para produzir seu fertilizante em fábricas que constrói ao lado das usinas de açúcar e etanol existentes, afirma Judice.

Embora a empresa tenha atualmente três fábricas no Brasil – uma produzindo cerca de 40 mil toneladas de fertilizantes por ano e outras duas em construção – ela espera chegar a dez fábricas até 2031.

“O business plan hoje é de dez plantas, a gente vai produzir em torno de 500 mil toneladas por ano de fertilizantes. Com isso, a gente chegaria perto de R$ 2 bilhões de faturamento”, acrescentou Judice, em entrevista.

Reuters| Oliver Griffin

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