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S&P rebaixa rating da Raízen para brCCC- e vê risco elevado de reestruturação da dívida

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Agência vê deterioração financeira da Raízen, consumo de caixa acima de R$ 7 bilhões e considera capitalização proposta insuficiente diante do nível de endividamento

A agência S&P Global Ratings rebaixou o rating de crédito da Raízen S.A. na escala nacional Brasil de brCCC+ para brCCC-, citando o aumento da probabilidade de uma reestruturação da dívida em condições desfavoráveis aos credores e a deterioração das métricas financeiras da companhia. A agência também retirou a empresa da listagem CreditWatch com implicações negativas e atribuiu perspectiva negativa ao rating.

De acordo com relatório divulgado em 5 de março, a perspectiva negativa reflete o risco crescente de um evento de crédito adverso no curto prazo. A S&P avalia que a empresa enfrenta deterioração contínua de suas métricas financeiras e possibilidade elevada de reestruturação da dívida. “A perspectiva negativa indica a possibilidade de um novo rebaixamento nos próximos 6 meses, diante da elevada probabilidade de uma reestruturação de dívida em condições desfavoráveis aos credores.”

A decisão ocorre após a Raízen anunciar, em fato relevante divulgado em 4 de março, uma proposta de capitalização de aproximadamente R$ 4 bilhões, além da possibilidade de conversão de parte do endividamento em capital e alongamento do saldo remanescente da dívida. Segundo a análise da agência, esse tipo de operação pode ser interpretado como um evento equivalente a default para fins de classificação de crédito.

Capitalização é considerada insuficiente diante da dívida e da pressão de caixa

Segundo a S&P, a capitalização anunciada não resolve os desafios estruturais da empresa e deve ter impacto limitado sobre a alavancagem financeira. De acordo com o relatório, o aporte proposto não é suficiente para reduzir de forma significativa as despesas financeiras da companhia nem para compensar o déficit esperado no fluxo de caixa, estimado em mais de R$ 7 bilhões no período de 2026/2027.

A agência também destaca que o montante anunciado representa parcela pequena do endividamento projetado para a companhia. Pelas estimativas da S&P, o aporte equivale a pouco mais de 5% da dívida ajustada, que pode alcançar cerca de R$ 70 bilhões ao final de 2026/2027.

Além disso, a agência ressalta que o anúncio da capitalização não resolve os problemas estruturais da empresa relacionados à sua estrutura de capital. “O anúncio em 4 de março de 2026 de uma proposta de capitalização de aproximadamente R$ 4 bilhões – sendo R$ 3,5 bilhões aportados pela Shell e R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações (holding familiar de Rubens Ometto) – não endereça adequadamente os problemas da estrutura de capital da Raízen.”

Nesse cenário, a S&P afirma que o rating poderá sofrer novo rebaixamento caso ocorra uma reestruturação da dívida considerada equivalente a default. “Poderemos rebaixar o rating da Raízen nos próximos 6 meses caso ocorra um default ou reestruturação da dívida em condições desfavoráveis aos credores, a qual poderíamos avaliar como equivalente a um default.”

Por outro lado, a agência considera pouco provável uma melhora da classificação de risco no curto prazo. Uma eventual elevação do rating dependeria de uma melhora consistente da estrutura de capital da empresa sem necessidade de reestruturação da dívida.

Gigante do setor sucroenergético enfrenta pressão financeira

A Raízen atua nos segmentos de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, sendo considerada pela S&P a maior empresa do setor sucroenergético do país.

Segundo o relatório, a companhia opera 24 usinas de moagem, com capacidade instalada de cerca de 65 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, embora tenha operado abaixo desse nível em função de rendimentos agrícolas inferiores ao esperado.

A empresa também diversificou sua atuação em outras frentes ligadas à transição energética, com investimentos em etanol de segunda geração (E2G), cogeração de energia e projetos de biogás e biometano.

No mercado de combustíveis, a Raízen tem presença relevante na distribuição. A empresa é a segunda maior distribuidora do país, com cerca de 7 mil postos e volumes de vendas consolidados de aproximadamente 28 milhões de m³ por ano. Além disso, opera o negócio de distribuição da Shell na Argentina, onde também ocupa a segunda posição no mercado, com mais de 800 postos de combustíveis e uma refinaria em Buenos Aires.

Natália Cherubin para RPAnews

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