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Raízen tomba 44% no ano, volta a ser penny stock e entra de novo na mira de sanção da B3

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As ações da Raízen entraram novamente no radar de sanções da B3. O papel renovou mínima histórica a R$ 0,45 na semana passada e completou na sexta-feira, 13, o total de 28 pregões consecutivos abaixo de R$ 1. Novos alertas da bolsa, incluindo a eventual retirada do Ibovespa, poderão ser disparados caso a situação não mude nos próximos dias.

As exclusões recentes do Ibovespa e dos demais índices da B3, como ocorreram nos casos de Ambipar, Azul e Gol, derivaram de processos de recuperação judicial. O processo pedido pela Raízen é de recuperação extrajudicial, o que não gera sanções imediatas.

De todo modo, o problema agora é um velho conhecido da companhia. Pelas normas da B3, em vigor desde 2015, empresas que mantêm o papel abaixo de R$ 1 por 30 sessões consecutivas são notificadas e obrigadas a apresentar um plano para recompor a cotação. Caso não o façam, podem sofrer sanções, como determinação de grupamento de ações (inplit) ou outras medidas para reenquadramento.

No fim do ano passado, rumores sobre uma possível recuperação judicial fizeram o papel entrar em queda livre e perder a marca de R$ 1. Em dezembro, a B3 solicitou que a empresa tomasse medidas para reenquadramento mínimo das ações. O prazo de resposta da empresa terminava em 29 de maio.

Só que, no começo do ano, o papel passou por uma recuperação e chegou a tocar os R$ 1,08 em 28 de janeiro, em uma perspectiva de que os sócios pudessem chegar a um bom termo para recuperar a empresa, o que não ocorreu. Daí, a ação voltou à espiral de queda, que leva ao recuo acumulado de 44,44% em 2026, o maior do Ibovespa.

Toda essa turbulência, na visão do sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, tem nome e sobrenome: “Confusão societária e governança fragilizada”.

Nesta semana, a crise da companhia culminou no pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, no intuito de renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas. A informação foi antecipada pela Broadcast.

Para o Citi, a decisão foi uma “surpresa negativa”, embora parcialmente esperada pelo mercado. Com base nas informações disponíveis, o banco estima uma diluição de aproximadamente 85% dos acionistas minoritários, se concretizada a conversão de dívida em ações combinada a um aumento de capital de R$ 4 bilhões, assumindo emissão ao preço atual dos papéis.

“As dívidas de curto e médio prazo, com um caixa menor do que os compromissos firmados, levaram a companhia a tentar agora – o que virou moda – a recuperação extrajudicial, chamando credores para negociar no ‘matar ou morrer’”, afirma o especialista em ações da Axia Investing, Felipe Sant’Anna.

Na visão dele, a situação da Raízen é mais um problema de crédito privado que vai respingar nos investidores. “Acho trágico o que está acontecendo, mas foi uma tragédia anunciada que o mercado deu de ombros e fingiu que nada estava acontecendo, e mais uma vez os pequenos investidores vão tomar um belíssimo de um calote”, afirma.

“A empresa fez investimentos arriscados com dívida, quando deveria ter usado o capital que dispunha”, emenda Queiroz, da L4, lembrando que a alavancagem da companhia é de 5,3 vezes.

Em meados de fevereiro, a companhia divulgou um prejuízo bilionário, impactado principalmente por baixas contábeis (impairment) de ativos, o que elevou ainda mais as preocupações sobre a capacidade de ela pagar suas dívidas.

Nesse meio tempo, agências de rating rebaixaram as notas de crédito da empresa, citando o alto nível de dívida e o risco crescente de reestruturação financeira. O cenário mobilizou credores e acionistas – no caso, Cosan e Shell – a buscarem alternativas de capitalização e venda de ativos.

Segundo apuração da Broadcast, credores defenderam um aporte de ao menos R$ 20 bilhões pelos acionistas. O plano atual prevê R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto, via family office Aguassanta. A Cosan, por sua vez, atravessa seu próprio processo de reorganização financeira e não teria condições de acompanhar um aporte maior.

Para o sócio da Ajax Asset, Rafael Passos, uma melhora para Raízen vai depender muito mais de um plano de execução do que dessa reorganização financeira proposta esta semana. “É uma pena essa situação da Raízen. O segmento de distribuição até estava mais positivo. O que pesou do lado operacional foi, de fato, a dívida”, complementa.

Esperança

Apesar do cenário de alto risco, em um quadro de dívida elevada e necessidade urgente de reestruturação, Queiroz, da L4, aponta que ainda há uma “luz no fim do túnel” para Raízen. “A operação principal é boa, gera caixa, mas o desfecho dependerá do tipo de reestruturação e da adesão dos credores”, pondera.

Para Passos, sócio da Ajax, a performance agora dependerá muito do plano de execução da Raízen, ou seja, dessa reorganização financeira. Para ele, os riscos ainda são altos, até que haja uma solução mais estrutural.

“Mas se por um lado, esse fôlego de suspender os pagamentos financeiros é bom, por outro lado, aumenta a percepção de risco e, provavelmente, piora um pouco as negociações com fornecedores”, diz.

Agêmcia Estad0| Amélia Alves

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