Os preços internacionais do açúcar iniciaram a semana sob pressão, influenciados pela forte queda do petróleo, que reacende expectativas de aumento da produção açucareira e amplia as preocupações com um cenário de superávit global. O movimento ocorre após o petróleo WTI recuar mais de 4% na segunda-feira, impactando diretamente a competitividade do etanol e, consequentemente, o direcionamento da cana pelas usinas.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio fechou em baixa de 0,18 centavo de dólar, ou 1,3%, a 14,19 centavos de dólar por libra-peso, ampliando sua queda de 1,9% na semana passada. Por sua vez, o contrato mais ativo do açúcar branco caiu 0,3%, para US$ 413,70 a tonelada.
De acordo com analistas do mercado internacional, a desvalorização do petróleo tende a reduzir os preços do etanol, o que pode incentivar usinas, especialmente no Brasil, a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, elevando a oferta global da commodity.
O cenário de pressão sobre os preços já vinha sendo observado desde o início de fevereiro, quando as cotações do açúcar atingiram os níveis mais baixos em mais de cinco anos, refletindo as projeções de excedente no mercado global.
Segundo analistas da trading Czarnikow, o mundo deve registrar um superávit de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente ainda maior estimado em 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
Outras consultorias também apontam para balanços positivos. A Green Pool Commodity Specialists projeta um superávit de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26 e um excedente menor, de 156 mil toneladas, no ciclo 2026/27. Já a StoneX estima um superávit global de 2,9 milhões de toneladas em 2025/26.
A International Sugar Organization (ISO) também revisou suas projeções e indicou um superávit de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, após um déficit de 3,46 milhões de toneladas na safra 2024/25. De acordo com a entidade, o resultado positivo é impulsionado principalmente pelo aumento da produção em Índia, Tailândia e Paquistão.
A ISO projeta ainda um crescimento de 3% na produção global de açúcar, que deve alcançar 181,3 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Apesar do cenário global mais pressionado, sinais de menor produção no Brasil têm limitado quedas mais acentuadas nos preços. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar na região Centro-Sul na segunda quinzena de janeiro caiu 36% na comparação anual, somando apenas 5 mil toneladas no período.
Ainda assim, no acumulado da safra 2025/26 até o fim de janeiro, a produção de açúcar no Centro-Sul registra alta de 0,9%, totalizando 40,24 milhões de toneladas, o que reforça o quadro de oferta global mais elevada.
Com informações da Barchart
