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Produção maior na Índia e no Brasil pressiona preços do açúcar, apesar de suporte do petróleo

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Os preços do açúcar recuaram para mínimas de duas semanas nesta quinta-feira, pressionados pelo avanço da produção na Índia e no Brasil, em um cenário global que segue marcado por expectativa de superávit da commodity. O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio fechou em queda de 1,9%, a 15 centavos de dólar por libra-peso. Na segunda-feira, o mercado havia atingido uma máxima de cinco meses, de 16,10 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo do açúcar branco fechou em queda de 1,4%, para US$ 435,70 a tonelada.

De acordo com a National Federation of Cooperative Sugar Factories Ltd., a produção indiana de açúcar na safra 2025/26, considerando o período de 1º de outubro a 31 de março, avançou 9% na comparação anual, totalizando 27,12 milhões de toneladas. O aumento reforça a percepção de maior oferta global e contribui para o viés baixista dos preços.

No Brasil, o quadro também segue pressionando o mercado. Dados divulgados pela UNICA indicam que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 (de outubro até meados de março) alcançou 40,25 milhões de toneladas, alta de 0,7% na comparação anual. O mix açucareiro também avançou, com 50,61% da cana destinada à produção de açúcar, acima dos 48,08% registrados no ciclo anterior.

Apesar do cenário fundamentalmente baixista, o mercado chegou a registrar um movimento de alta no início da semana. Na segunda-feira, os contratos em Nova York atingiram o maior nível em cinco meses e meio, enquanto Londres alcançou máximas de seis meses, impulsionados pela valorização do petróleo. A commodity energética, refletida nos contratos Crude Oil Futures CL, acumulou forte alta recente, elevando a atratividade do etanol e potencialmente incentivando as usinas a direcionarem mais cana para biocombustível.

Outro fator de suporte pontual vem das restrições logísticas no comércio global. Segundo a Covrig Analytics, o fechamento do Estreito de Ormuz reduziu cerca de 6% do fluxo mundial de açúcar, impactando a oferta de açúcar refinado.

Ainda assim, o pano de fundo segue dominado pela expectativa de excedentes globais. Em fevereiro, a Czarnikow projetou superávit de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente ainda maior de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26. Na mesma linha, a Green Pool Commodity Specialists estima superávit de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e leve excedente de 156 mil toneladas no ciclo seguinte, enquanto a StoneX projeta saldo positivo de 2,9 milhões de toneladas para 2025/26.

Já a International Sugar Organization prevê superávit global de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, revertendo o déficit de 3,46 milhões de toneladas observado na safra anterior. A entidade projeta crescimento de 3% na produção mundial, para 181,3 milhões de toneladas, com destaque para o avanço da oferta em países como Índia, Tailândia e Paquistão.

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