Início da safra 2026/27 limita disponibilidade de açúcar branco no curto prazo, enquanto cenário global segue pressionado por oferta elevada
Os preços do açúcar cristal registraram leve recuo no balanço da última semana, mas voltaram a se aproximar de R$ 106 por saca no encerramento do período, sustentados pela menor disponibilidade do produto no mercado spot. Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento esteve atrelado ao início da safra 2026/27, com parte das usinas direcionando a produção inicial para o açúcar VHP, o que limitou a oferta de cristal branco no curto prazo.
Do lado da demanda, a atuação foi mais pontual, sem pressão significativa por recomposição de estoques, refletindo um ambiente de negociações mais cadenciado. No cenário externo, o mercado segue instável, influenciado pela combinação de oferta global elevada e fatores geopolíticos e energéticos.
O comportamento recente dos preços ocorre após uma safra 2025/26 marcada por queda nas cotações em relação ao ciclo anterior. De acordo com o Cepea, a média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (Icumsa 130–180) no estado de São Paulo recuou de R$ 145,28 por saca de 50 kg na safra 2024/25 para R$ 116,90 por saca na 2025/26, queda de quase 20%, refletindo o aumento da disponibilidade global e o reequilíbrio entre oferta e demanda.
Ao longo da temporada, os preços oscilaram, influenciados principalmente por fatores externos, como o ambiente macroeconômico e as tensões geopolíticas, que elevaram a percepção de risco e geraram picos pontuais de alta, sem alterar a tendência estrutural do mercado. Para a safra 2026/27, as perspectivas iniciais indicam manutenção de um cenário internacional com preços entre estáveis e pressionados, diante da expectativa de maior disponibilidade de cana e, consequentemente, ampliação da oferta potencial de açúcar.

