Relatório de maio aponta mercado mais defensivo para o açúcar e forte pressão sobre os preços do etanol hidratado diante do aumento da oferta no Centro-Sul
O mercado de açúcar encerrou abril sob pressão nas bolsas internacionais, enquanto o etanol registrou forte queda de preços no mercado doméstico com o avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul. A avaliação consta no relatório Agro Mensal de maio, divulgado pelo Itaú BBA.
De acordo com o relatório, os preços do açúcar bruto em Nova York devolveram os ganhos observados em março e acumularam queda de 6% ao longo de abril, em um ambiente marcado por percepção de oferta global mais confortável, aumento das posições vendidas dos fundos especulativos e incertezas relacionadas ao mix produtivo brasileiro.
Segundo o Itaú BBA, o desempenho acima do esperado das safras da China e da Tailândia compensou parcialmente as frustrações registradas na Índia, reforçando a percepção de superávit global e limitando movimentos mais consistentes de recuperação das cotações internacionais.
“No Brasil, a ausência de dados consolidados do Centro-Sul manteve o mercado em compasso de espera. Ao mesmo tempo, a forte queda nos preços do etanol hidratado ao longo do mês, associada à elevada oferta do biocombustível, ampliou as incertezas em relação ao mix de produção de açúcar no início da safra”, destacou o relatório do Itaú BBA.
O banco também apontou aumento da pressão técnica sobre o açúcar no mercado financeiro. Segundo o relatório, os fundos especulativos ampliaram a posição vendida para 114 mil contratos em 5 de maio, ante 50 mil contratos vendidos no final de março.
“O posicionamento contribuiu para reforçar o viés baixista, em um contexto em que o mercado já operava com fundamentos mais frouxos”, destacou o Itaú BBA.
Mercado segue atento ao mix e ao clima
O relatório também destaca que o mercado internacional segue acompanhando o comportamento do mix produtivo brasileiro e os riscos climáticos associados à possível formação de um evento de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026.
De acordo com o Itaú BBA, a Conab projeta produção nacional de 709,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, crescimento de 5,3% frente ao ciclo anterior, sustentado pela melhora da produtividade agrícola e pela expansão da área colhida, estimada em 9,1 milhões de hectares. A produtividade média deve alcançar 77,75 toneladas por hectare, alta de 3,4%.
Segundo o relatório, apesar do cenário inicial de maior oferta, o aumento da probabilidade de ocorrência do El Niño adiciona incertezas relevantes ao mercado global de açúcar.
“As projeções apontam probabilidade elevada de consolidação do fenômeno ao longo do segundo semestre, o que adiciona incerteza ao andamento da colheita no Brasil. Embora a maior disponibilidade hídrica favoreça o desenvolvimento vegetativo dos canaviais, o excesso de chuvas pode impor restrições logísticas e industriais”, apontou o banco.
O Itaú BBA também destacou que o clima pode elevar riscos produtivos em importantes origens asiáticas, como Índia e Tailândia, mantendo o açúcar sensível à volatilidade ao longo da safra.
“Nesse contexto, o Brasil permanece como origem-chave para o equilíbrio do mercado mundial, com o comportamento do mix produtivo e o desempenho climático ao longo do segundo semestre assumindo papel central na formação dos preços”, destacou o relatório.
Etanol cai 22% com avanço da safra
No mercado doméstico de combustíveis, o relatório aponta que abril foi marcado por forte queda nos preços do etanol hidratado, pressionados pela entrada da safra 2026/27 e pelo aumento da oferta no Centro-Sul.
Segundo o Itaú BBA, o etanol hidratado fechou o dia 8 de maio cotado a R$ 2,36 por litro, queda de 22% nos últimos 30 dias, atingindo os menores níveis desde junho de 2024.
O banco atribui o movimento principalmente ao avanço acelerado da moagem favorecido pelo clima seco no Centro-Sul, além do crescimento estrutural da produção de etanol de milho.
“O movimento foi impulsionado pela elevação da oferta com o avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul, acelerada pelo baixo volume de chuvas, que favoreceu a colheita e ampliou o ritmo de moagem”, destacou o relatório.
De acordo com o Itaú BBA, o aumento da oferta ocorreu em um contexto de demanda mais cautelosa por parte das distribuidoras, que já operavam com níveis elevados de estoque e reduziram o ritmo de compras aguardando melhores oportunidades de preço.
Ainda assim, o relatório aponta que o volume comercializado pelas usinas permaneceu elevado. Segundo dados do Cepea citados pelo banco, as usinas venderam cerca de 25% mais etanol em abril na comparação anual, refletindo o maior volume disponível no mercado.
O relatório também destacou a manutenção das incertezas regulatórias envolvendo o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina. Segundo o Itaú BBA, a reunião do CNPE que avaliaria a elevação da mistura de 30% para 32% (E32), prevista inicialmente para 7 de maio, foi adiada e segue sem nova data definida.
Natália Cherubin para RPAnews


