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BrasilAgro registra prejuízo nos 9M26 com pressão da cana-de-açúcar e margens mais apertadas

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Companhia aponta ambiente de margens desafiadoras, juros elevados e menor desempenho do canavial

A BrasilAgro encerrou os nove primeiros meses da safra 2025/26 com receita líquida total de R$ 637,3 milhões, EBITDA ajustado de R$ 42,8 milhões e prejuízo líquido de R$ 76,1 milhões. De acordo com a companhia, o período foi marcado por pressão nas margens operacionais, volatilidade nos mercados globais, oscilações nos preços das commodities agrícolas e manutenção de taxas de juros elevadas no Brasil. Os dados foram divulgados em relatório de resultados no final da semana passada.

Segundo a mensagem da administração divulgada no relatório do terceiro trimestre, o desempenho também refletiu o menor ritmo de comercialização da soja no período, estratégia adotada pela companhia em busca de melhores condições logísticas e comerciais.

“O desempenho reflete, principalmente, um ambiente de margens mais desafiadoras, o menor ritmo de comercialização da soja no período — decisão adotada de forma estratégica para captura de melhores condições logísticas e comerciais — e o elevado patamar das taxas de juros, que continuou pressionando as despesas financeiras da Companhia”, afirmou a BrasilAgro no relatório.

No operacional, a companhia informou que revisou parte do plano de plantio da safrinha ao longo da safra, priorizando culturas e regiões com melhor relação risco-retorno diante da deterioração do cenário de preços e das limitações impostas pela janela agrícola em algumas regiões.

De acordo com o relatório, a redução de área plantada ocorreu principalmente nas culturas de milho safrinha e feijão, influenciada pela queda nos preços das commodities e pelo atraso no plantio da soja, aliado ao excesso de chuvas durante a colheita em algumas regiões.

Apesar disso, a companhia destacou que as produtividades seguem próximas das estimativas iniciais. “Do ponto de vista operacional, concluímos 95% da colheita da soja e, apesar dos desafios climáticos observados em parte do ciclo agrícola, especialmente relacionados à irregularidade das chuvas e ao impacto sobre a janela de plantio da safrinha, as produtividades seguem em linha com as estimativas iniciais”, destacou a administração.

Na cana-de-açúcar, a companhia afirmou que iniciou a colheita no Brasil dentro do planejamento previsto para a safra 2025/26. Segundo o relatório, as condições climáticas têm se mostrado favoráveis ao desenvolvimento do canavial.

“Já iniciamos a colheita de cana no Brasil, com as operações ocorrendo conforme o planejamento. As condições climáticas ao longo do período têm se mostrado, de forma geral, favoráveis, contribuindo para o bom desenvolvimento do canavial e sustentando a expectativa de produtividade”, informou a companhia.

A BrasilAgro estima produzir 2,15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2025/26, volume 25% superior ao registrado na safra anterior. O TCH projetado é de 79,09 toneladas por hectare, avanço de 18% frente ao ciclo anterior.

De acordo com os dados operacionais divulgados pela companhia, a área destinada à cana-de-açúcar soma 31,2 mil hectares na safra 2025/26, considerando cana soca e cana planta. A cultura representa cerca de 19% da área agrícola em produção da empresa.

Operação de cana pressiona receita e margens da companhia

No resultado consolidado, a operação de cana-de-açúcar foi o principal fator de pressão sobre a receita operacional da companhia. Segundo a BrasilAgro, a receita líquida operacional totalizou R$ 635,8 milhões nos 9M26, queda de 2% em relação ao mesmo período da safra anterior, refletindo principalmente a menor receita da cana-de-açúcar, impactada pela redução de 28% no volume comercializado em função do desempenho abaixo do esperado do canavial no período.

A receita líquida da operação de cana somou R$ 164,1 milhões nos nove primeiros meses da safra, retração de 31% frente aos 9M25. O volume faturado totalizou 971,5 mil toneladas, queda de 28%, enquanto o preço médio recuou 5%, para R$ 169 por tonelada.

Segundo o relatório, a cana-de-açúcar permaneceu como a segunda principal fonte de receita da companhia no período, atrás apenas da soja, que respondeu por R$ 277,4 milhões da receita líquida acumulada.

A companhia também informou que a margem bruta da cana-de-açúcar recuou para 20% nos 9M26, redução de 16 pontos percentuais em relação ao mesmo período da safra anterior.

“Nos 9M26, a cana apresentou margem bruta de 20%, queda de 16 p.p. em relação aos 9M25. O resultado foi impactado principalmente pela redução de 28% na quantidade faturada no período, refletindo efeitos operacionais e climáticos, além da queda de 5% no preço médio e do aumento de 18% no custo unitário, que pressionaram a rentabilidade”, destacou a companhia no relatório.

O resultado bruto total da cana-de-açúcar somou R$ 32,8 milhões no acumulado da safra, retração de 62% frente aos 9M25. Já o custo unitário da operação avançou 18%, para R$ 135 por tonelada.

No critério contábil IFRS, a movimentação de valor justo dos ativos biológicos da cana-de-açúcar teve impacto negativo de R$ 19,4 milhões nos nove primeiros meses da safra, revertendo resultado positivo de R$ 24,8 milhões registrado no mesmo período do ciclo anterior.

A companhia também informou avanço na estratégia de hedge da operação sucroenergética. Em março de 2026, a BrasilAgro possuía 100% da posição de açúcar da safra 2025/26 fixada a R$ 1,19 por quilo de ATR. No etanol, o hedge alcançava 99% da produção, com preço médio de R$ 2.639 por metro cúbico.

Segundo o relatório, a cana-de-açúcar possui comportamento mais linear ao longo do exercício, diferentemente das culturas de grãos e algodão, que apresentam maior concentração de receitas em períodos específicos da safra.

Soja e milho sustentam avanço operacional das demais culturas

Nas demais culturas, a companhia reportou avanço operacional ao longo do período. Desconsiderando a cana-de-açúcar, a receita líquida cresceu 15%, passando de R$ 409,3 milhões nos 9M25 para R$ 471,6 milhões nos 9M26, impulsionada principalmente pelo aumento de volumes em soja e milho.

Na mesma base de comparação, o volume total comercializado das demais culturas avançou 26%, totalizando 258,8 mil toneladas. Segundo a companhia, o milho apresentou revisão positiva de produção em função de ganhos de produtividade, enquanto a soja teve leve ajuste negativo, especialmente em Mato Grosso, impactada pela irregularidade das chuvas no início do ciclo.

A soja permaneceu como principal fonte de receita da BrasilAgro no período, somando R$ 277,4 milhões nos nove primeiros meses da safra, alta de 3% em relação aos 9M25. Já o milho registrou crescimento expressivo, com receita de R$ 61,9 milhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período da safra anterior.

O EBITDA ajustado acumulado da companhia totalizou R$ 42,8 milhões nos nove primeiros meses da safra, queda de 78% em relação aos R$ 195,3 milhões registrados nos 9M25. Segundo a BrasilAgro, o resultado foi impactado principalmente pela redução dos preços das commodities agrícolas, especialmente da soja, além da manutenção de juros elevados no Brasil.

A companhia também destacou que, do ponto de vista contábil, o resultado foi afetado pela menor contribuição das linhas de movimentação de ativos biológicos e produtos agrícolas e de realização de valor justo, que passaram de impacto positivo de R$ 92,5 milhões nos 9M25 para R$ 2,6 milhões nos 9M26. Segundo o relatório, o movimento está associado principalmente à redução dos preços utilizados na marcação a valor justo das culturas, com destaque para a soja.

Natália Cherubin para RPAnews
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Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

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