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Desembolso no Plano Safra 2025/26 até abril recua 10%, para R$ 281,616 bilhões

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O valor desembolsado no Plano Safra 2025/26, iniciado em 1º de julho, alcançou em abril R$ 281,616 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores, conforme levantamento realizado pela reportagem. Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central.

O montante desembolsado nos primeiros dez meses do plano agrícola e pecuário corresponde a 69,4% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir Cédulas de Produto Rural (CPRs). O valor ficou 10% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2024/25, de R$ 312,772 bilhões.

Até o fim de abril, foram realizados 1,966 milhão de contratos em todas as modalidades, 5% mais que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 1,872 milhão de contratos.

Na safra atual, observa-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada. Produtores estão retraídos na demanda por novos financiamentos dada a conjuntura adversa do setor e dos juros elevados e agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito, em virtude do elevado nível de endividamento do setor agropecuário.

Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 403,981 bilhões liberados nos primeiros nove meses da safra para agricultura empresarial, até março, incluindo recursos de CPRs direcionadas – CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Considerando os R$ 183,137 bilhões liberados via CPRs de julho a março, há aumento de 10% no desembolso da safra na agricultura empresarial (médios e demais produtores) ante o ciclo anterior.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a retração no crédito concedido na safra é explicada pela maior dificuldade de acesso a crédito pelo produtor rural com exigência crescente de garantias e pelo endividamento recorde registrado no setor.

A confederação também vê aumento de “burocracias” para a contratação do crédito rural, o que dificulta a concessão pelos agentes financeiros, como o uso de dados do Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) como condicionante para concessão de crédito rural em vigor desde 1º de abril.

Neste cenário, cresce o uso dos produtores rurais por fontes privadas de financiamentos, como as CPRs, como alternativa ao crédito tradicional.

Modalidades e programas

Os financiamentos para custeio somaram R$ 151,979 bilhões em desembolso de julho a abril, 11,7% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 631.977 contratos. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 70,813 bilhões no período, 17% menos que na temporada passada, em 1,323 milhão de contratos.

As operações de comercialização atingiram R$ 28,661 bilhões (queda de 22%), em 9.604 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 30,163 bilhões (alta de 63%), em 1.587 contratos, em dez meses da safra.

No período, 1,649 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 56,135 bilhões ao fim de abril, alta de 3,5% ante o ano-safra anterior.

No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 169.532 operações, totalizando R$ 52,185 bilhões nos dez meses do ano-safra, alta de 3% em um ano.

Outros 147.844 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 173,297 bilhões em financiamentos de julho a abril na safra 2025/26, retração de 16,6% em relação a igual período do ano passado.

A região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados nos dez meses da safra, com 1,027 milhão de operações, com R$ 28,356 bilhões financiados. Na sequência, consta o Sul, com 442.282 contratos, e maior valor contratado, de R$ 93,175 bilhões.

O Sudeste registrou 304.753 operações de crédito rural de julho a abril, somando o total de R$ 75,119 bilhões. No Norte, foram firmados 98.624 contratos, alcançando a liberação de R$ 19,382 bilhões. No Centro-Oeste, foram reportadas 93.239 operações, somando R$ 65,585 bilhões.

O valor médio por contrato na base nacional foi de R$ 143,228 mil ao fim dos dez meses do ano-safra atual, queda de 14,3% ante igual período da temporada passada.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 91,622 bilhões foram provenientes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) a taxas livres e controladas. As LCAs continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26.

Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 67,212 bilhões. Outros R$ 63,402 bilhões de julho a abril deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres.

No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores.

Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. Ao todo, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões.

Reuters| Isadora Duarte

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