Projeto já substituiu 5 milhões de litros de diesel e evitou emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂ no transporte de açúcar até o Porto de Santos
A Copersucar apresentou ao mercado a BioRota, considerada pela companhia a maior operação de logística sustentável do Brasil movida a biometano. Criada em abril de 2024, a iniciativa utiliza combustível renovável produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar para substituir o diesel no transporte rodoviário de açúcar das usinas associadas até o Porto de Santos.
Segundo a companhia, a operação já conta com mais de 70 caminhões movidos a biometano e integra a estratégia da empresa voltada à transição energética e à descarbonização do transporte pesado. Atualmente, o combustível utilizado na frota é produzido nas unidades da Cocal, pioneira na produção de biometano no setor sucroenergético e que opera duas plantas de grande escala no Oeste paulista.
De acordo com a Copersucar, o biometano permite reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel, além de apresentar competitividade econômica frente ao combustível fóssil.
Entre abril de 2024 e março de 2026, a BioRota realizou mais de 13 mil viagens, percorrendo aproximadamente 11 milhões de quilômetros — distância equivalente a 280 voltas ao redor da Terra — e transportando cerca de 600 mil toneladas de açúcar até o Porto de Santos.
No período, a operação substituiu aproximadamente 5 milhões de litros de diesel por biometano, evitando a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂. Segundo a companhia, o volume corresponde ao carbono capturado por cerca de 380 mil árvores em um ano.
Para o presidente da Copersucar, Tomás Manzano, a iniciativa demonstra a viabilidade operacional e econômica do biometano em larga escala no transporte pesado.
A BioRota foi estruturada inicialmente em parceria com a transportadora Reiter, especializada em frotas movidas a gás, e atualmente já opera com outras quatro transportadoras. O abastecimento é realizado nas unidades de produção de biometano da Cocal localizadas em Narandiba e Paraguaçu Paulista.
A planta de Narandiba possui capacidade de produção de até 25 mil metros cúbicos por dia de biometano, enquanto a unidade de Paraguaçu Paulista pode produzir até 60 mil metros cúbicos diários durante a safra.
Segundo a companhia, a expectativa é que, nos próximos anos, todas as usinas associadas passem a produzir e utilizar biometano em suas operações.
A Copersucar afirma que o avanço da BioRota reforça o potencial de expansão do biometano no transporte rodoviário, especialmente em um segmento considerado de difícil descarbonização. De acordo com Tomás Manzano, a empresa passou a oferecer ao mercado não apenas o combustível renovável, mas também assessoria especializada para aplicação do biometano em operações logísticas.
Estudo realizado pela companhia aponta que a produção nacional de biometano deve mais do que triplicar até 2027, passando dos atuais 656 mil metros cúbicos por dia para cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos diários.
Atualmente, o Brasil consome aproximadamente 62 bilhões de litros de diesel por ano, sendo mais de 20% importados. Segundo o levantamento da Copersucar, caso o país desenvolva apenas 20% de seu potencial de produção de biometano e direcione esse volume para substituição do diesel ao longo dos próximos dez anos, seria possível reduzir pela metade a necessidade de importações do combustível fóssil.
Para Tomás Manzano, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a participação do biometano na matriz energética, considerando disponibilidade de matéria-prima, infraestrutura logística, tecnologia e ambiente regulatório.

