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Be8 planeja colocar etanol de trigo no mercado em 2027

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A empresa de biocombustíveis Be8 planeja colocar no mercado em 2027 seu etanol à base de trigo, afirma o CEO da companhia, Erasmo Carlos Batistella. O produto integra uma estratégia de ampliação e diversificação de catálogo, com a intenção de fornecer para as diversas cadeias de transporte.

“A Be8 nasceu como uma empresa de biodiesel e está fazendo um movimento para se transformar em uma plataforma de energias renováveis. Nos próximos três anos, vamos ampliar nosso leque”, diz Batistella.

A unidade industrial para a produção do etanol de trigo – além de DDG e glúten vital – fica em Passo Fundo (RS) e está com 70% das obras concluídas. A previsão é de término ainda neste ano, com início de operações em março de 2027.

A Be8 também está com um projeto em andamento no Paraguai para a fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Batistella disse que essa produção tem início previsto para 2030, ano para o qual há uma perspectiva de aumento de demanda pelo biocombustível.

A unidade industrial responsável por essa produção, a Omega Green, deve começar a operar em 2029. Ela deve usar diversos óleos vegetais, como soja, milho, girassol e canola. O projeto de engenharia e os processos de licenciamento ambiental e de construção já estão concluídos.

“É uma tecnologia flex. Vai usar a que trouxer maior redução de emissões. Temos uma estratégia tanto no Brasil quanto no Paraguai para garantir o fornecimento da matéria-prima”, explicou, sem detalhar como será essa estratégia.

A Be8 ainda deve colocar em operação no ano que vem uma fábrica de hidrogênio verde (H2V), após um investimento de R$ 38,7 milhões em fase inicial. O projeto, que recebeu apoio do governo do Rio Grande do Sul, inclui a instalação de um posto de abastecimento de veículos.

E, na produção do biodiesel, a companhia relata que vem ampliando o uso da gordura animal como matéria-prima. De 2023 para 2025, esse aumento foi de 15,2%.

No ano passado, a Be8 contabilizou um lucro líquido de R$ 488,12 mil, “em linha com o planejado”, informou, em relatório de sustentabilidade. A receita líquida cresceu 36% para R$ 10,01 bilhões, e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) aumentou 21,8%, para R$ 809,09 mil.

A expectativa para 2026 é crescer entre 10% e 15% na receita. Batistella disse que medidas de eficiência das plantas industriais e aquisições – que serão consolidadas no balanço este ano – devem ser determinantes para o resultado.

“O primeiro trimestre ficou bem em linha com o que orçamos. Precisamos compreender como o ano se desenha com todo esse aspecto geopolítico, mudanças de imposto sobre combustível, subsídio a combustível. E temos visto demanda maior de exportação”, resumiu.

Batistella conversou com a reportagem no último fim de semana, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, durante a quarta etapa da Copa Truck, o campeonato brasileiro de corrida de caminhões. A Be8, com o BeVant, é a fornecedora oficial de combustível para a categoria.

Os caminhões de corrida começaram a receber o combustível neste ano. A parceria entre a Copa Truck e a Be8 – que também dá nome a competição – tem duração de quatro temporadas.

“O automobilismo de competição sempre foi um grande espaço de avaliação para a indústria. Aqui, há situações que são limites para o combustível. Estamos aproveitando para adquirir mais dados e, no momento certo, aperfeiçoá-lo ainda mais”, explicou o diretor de transição energética da Be8, Camilo Adas, também durante o evento em Interlagos.

O BeVant é um metil éster bidestilado produzido a partir do biodiesel, com as mesmas matérias-primas, como óleo de soja e gordura animal. Depois de fabricado, esse biodiesel passa por processos físico-químicos, além da bidestilação.

Na estratégia da empresa, a entrada no automobilismo funciona como uma vitrine e como um selo de desempenho do BeVant. A promessa é de um combustível que pode substituir imediatamente o diesel em 100% nos tanques dos veículos, com redução de até 99% nas emissões.

Atualmente, a maior parte da clientela do BeVant está no transporte rodoviário. Mas a expectativa é de crescer em outros segmentos, como mineração, navegação e agronegócio, no abastecimento, por exemplo, de máquinas agrícolas.

Na carteira, ainda é visto como um “produto de entrada”. A expectativa é de que, em até três anos, ele passe a representar de 15% a 20% da receita da companhia.

“O agro, para nós, é fundamental. É um setor que tem pouca margem e precisa controlar muito o preço que paga por combustível. E, com a guerra no Irã, estamos vendo o preço subir e já temos clientes no agro que olham para o BeVant com a possibilidade de uso imediato”, disse Adas.

Globo Rural| Raphael Salomão

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