Mercado também foi pressionado pela queda do petróleo, enquanto estimativas de déficit global seguem dando suporte às cotações
Os contratos futuros do açúcar fecharam em forte queda nesta terça-feira, 25, pressionados pela expectativa de que a Índia importe menos açúcar do que o inicialmente previsto e pela desvalorização do petróleo. Na ICE de Nova York, o contrato com vencimento em outubro recuou 2,15%, para 17,27 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para outubro caiu 3,53%, cotado a US$ 517,00 por tonelada, atingindo a mínima de uma semana.
O movimento ocorre após uma forte valorização do açúcar nas últimas semanas e foi marcado por liquidação de posições compradas. A pressão aumentou após a Greenleaf estimar que a Índia não conseguirá importar mais de 500 mil toneladas de açúcar até 31 de outubro, metade do volume de até 1 milhão de toneladas autorizado pelo governo indiano.
Na semana passada, a Índia anunciou a liberação de importações de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até o fim de outubro, numa tentativa de ampliar a oferta doméstica antes do período de maior consumo associado às festividades no país. A medida chamou atenção do mercado porque a Índia tradicionalmente figura entre os grandes exportadores globais de açúcar e não realizava importações relevantes desde a temporada 2017/18.
Entretanto, a Associação Indiana dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) afirmou que não há escassez de açúcar no país e que os estoques são suficientes para atender ao aumento da demanda no período festivo. A entidade também projeta produção de aproximadamente 1 milhão de toneladas de açúcar em outubro, acima dos volumes normalmente registrados no mês, entre 300 mil e 400 mil toneladas.
Petróleo amplia pressão sobre as cotações
A queda de aproximadamente 3% do petróleo nesta terça-feira também pesou sobre o mercado de açúcar. A desvalorização do óleo tende a reduzir a competitividade relativa do etanol e pode favorecer uma maior destinação da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, aumentando a expectativa de oferta global.
A correção ocorre poucos dias depois de o açúcar atingir novas máximas. Na quinta-feira passada, o contrato mais próximo negociado em Nova York alcançou o maior nível em 15 meses, enquanto Londres chegou à máxima de 17 meses, sustentados pelas preocupações com uma oferta global mais apertada.
Apesar da queda desta terça-feira, as perspectivas para o balanço mundial continuam dando suporte às cotações. Em agosto, a Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas de açúcar em 2026/27, após estimar anteriormente um superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists também ampliou sua estimativa de déficit para a temporada, de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas. A StoneX, por sua vez, elevou sua projeção de déficit de 550 mil toneladas para 1,7 milhão de toneladas.
Já a Czarnikow revisou em junho sua estimativa para o balanço global de 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas.





