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Açúcar atinge maior preço em 15 meses com temor de oferta mais apertada

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Projeções de déficit global e preocupações com a oferta da Índia sustentam valorização da commodity em agosto

Os preços do açúcar voltaram a subir nesta quarta-feira, 19, e renovaram máximas de mais de um ano nas bolsas internacionais, sustentados pelas perspectivas de menor disponibilidade global da commodity. Na ICE de Nova York, o contrato do açúcar bruto para outubro avançou 0,46%, cotado a 17,55 centavos de dólar por libra-peso, maior patamar em 15 meses.

Em Londres, o açúcar branco também prolongou o movimento de valorização. O contrato para outubro subiu 0,50%, para US$ 542,20 por tonelada, atingindo a máxima de 16 meses.

Segundo o Barchart, as perspectivas de uma oferta global mais apertada continuam dando sustentação às cotações. O movimento ocorre após a Bloomberg informar, na terça-feira, que a Índia avalia reduzir as tarifas de importação de açúcar para ampliar a disponibilidade doméstica e conter os preços antes do aumento esperado da demanda durante a temporada de festividades.

A possibilidade reforçou as preocupações do mercado com a oferta, já que a Índia normalmente atua como exportadora de açúcar e não realiza importações substanciais desde a temporada 2017/18.

Projeções apontam déficit global

A valorização do açúcar ao longo de agosto também ocorre em meio a sucessivas revisões das projeções para o balanço mundial da commodity.

No início do mês, a Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas para 2026/27, ante uma estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas.

A Green Pool Commodity Specialists elevou sua previsão de déficit para a mesma temporada de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas. A StoneX também ampliou sua estimativa, de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas.

Já a Czarnikow revisou em junho sua projeção para 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas. Segundo o Barchart, a revisão ocorreu em um cenário de maior direcionamento da cana para a produção de etanol pelas usinas brasileiras, em meio à valorização do petróleo decorrente do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Monções seguem abaixo da média na Índia

As condições climáticas da Índia também permanecem no radar. O Departamento Meteorológico do país informou nesta quarta-feira que as chuvas acumuladas das monções estavam 13% abaixo da média até 19 de agosto.

Apesar do déficit, houve melhora significativa em relação ao final de junho, quando as precipitações estavam 42% abaixo da normalidade.

No fim de julho, o órgão meteorológico indiano havia indicado que as chuvas durante agosto e setembro provavelmente ficariam abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.

O desempenho das chuvas é acompanhado de perto pelo mercado devido ao peso da Índia na oferta mundial. O país é o segundo maior produtor de açúcar do mundo, e sua temporada de monções se estende de junho a setembro.

Com informações da Barchart

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