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Açúcar: Cenário ruim poderá levar NY aos 17 centavos

Açúcar: até final de abril 19,2 milhões de t já estavam fixadas
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O cenário macro mundial deteriorou-se ainda mais durante a semana encerrada na sexta-feira. Enquanto os Bancos Centrais elevam as taxas de juros para conter a inflação galopante, o mundo parece caminhar celeremente para uma recessão quase que inevitável para 2023. O volume de dinheiro injetado nas economias para fazer frente à desaceleração global provocada pela covid-19 apresenta agora a conta a ser paga. Excesso de dinheiro injetado na economia causa inflação e os Bancos Centrais demoraram para contê-la. Agora aumentam os juros para conter a inflação que eles próprios provocaram e a recessão bate à porta. Alguém está surpreso ainda?

O mercado de energia colapsou, o petróleo tipo WTI negociou a 78 dólares por barril, enquanto o Brent que serve de referência para a Petrobras saiu a pouco mais de 85 dólares por barril, uma queda na semana de 7.0% e 5.5%, respectivamente. Com isso, é de se esperar que a Petrobras ajuste os preços para baixo em breve. O hidratado vai seguir o mesmo caminho?

O açúcar em NY encerrou as negociações com o vencimento outubro/22 – que expira na próxima sexta-feira – valorizado em 40 pontos em relação à semana anterior, nos 18.28 centavos de dólar por libra-peso. O spread outubro/março apreciou 32 pontos, ou sete dólares por tonelada acumulados na semana, indicando possivelmente um movimento de recebimento de açúcares na expiração do contrato futuro de outubro/22 no próximo dia 30, sexta-feira. Aguardemos.

Enquanto isso, os fundos não-indexados aumentaram suas posições vendidas a descoberto e, com base nos dados de terça-feira publicados na sexta-feira pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), a agência americana reguladora do mercado de commodities, eles estão vendidos quase 41,000 lotes. Com essa exposição dos fundos em meio a um mercado de energia anêmico, a pressão em cima do açúcar NY vai continuar e o contrato com vencimento março/23 pode buscar os 17 centavos de dólar por libra-peso.

Alguns fatores contribuem para uma possível queda do nível de suporte do açúcar em NY: a manutenção da taxa básica de juros do Banco Central e o aumento da taxa do FED combinadas resultam na diminuição do spread atenuando a curva futura do real; a rúpia indiana se desvalorizou em relação ao dólar e o ponto de equilíbrio do açúcar indiano agora está mais perto dos 18.50 centavos de dólar por libra-peso (antes era perto dos 19.50). O preço do hidratado recuperou ligeiramente da queda bruta que sofreu, mas ainda negocia perto dos 400 pontos de desconto em relação à NY, isto é, abaixo do custo de produção. A depender de como vai funcionar o mercado a partir de janeiro de 2023 com um novo governo, caso o etanol não se recupere, certamente teremos uma disponibilidade maior de açúcar prevista para a safra 2023/2024.

O comentário da semana passada acerca da possibilidade de termos um mercado construtivo para o ano que vem, provocou algumas reações entre os leitores mais atentos. Um veterano do setor comenta que: “o setor, por ser altamente dependente de regulação de governo, não reage a fatos e cenários futuros com racionalidade econômica puramente. Sempre aparecem intervenções de governo movidas por fatos no curto prazo, que destroem a confiança sobre o pouco que existe de regulação de longo prazo que poderia garantir o crescimento sustentável do setor, com racionalidade econômica”. Triste verdade. Durante os governos petistas, o setor pagou um preço caro demais, seja financiando indiretamente a indústria automobilística via redução dos preços do combustível internamente, seja na formação esdrúxula do preço interno da gasolina que – ora vejam – se repete agora com esse governo que prometeu deixar o mercado livre.

Um outro questiona se as empresas “estão cuidando do canavial”. Ele pondera que “[enquanto uma dessas grandes empresas] não olhar com seriedade para a cana, as vizinhas não vão conseguir elevar sua produção, pois o preço do arrendamento [negociado por ela] a qualquer preço impede o crescimento de quem sabe fazer conta!”. Ele também provoca que “é uma pena que o setor foi passando de gerações e perdendo a qualidade operacional e empresarial. Quem consolidou ou veio de fora errou a mão feio na velocidade, no foco na indústria (e não na cana) e contratando gestores profissionais vaidosos da Faria Lima que não souberam conduzir suas equipes e hordas de trabalhadores”. É um assunto que merece profunda reflexão.

 

*Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting

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