Compartilhar
Usinas e produtores de cana tem conseguido uma redução de até 70% em insumos
Drones pulverizadores / Credito: Coopercitrus
A redução em uso de insumos pode cair 70% com o uso de drones pulverizadores (Crédito: Coopercitrus)

Por Natália Cherubin

O uso de drones para a pulverização de insumos como herbicidas e maturadores em cana-de-açúcar parece algo novo, mas já vai ser usado pela terceira safra em produtores de cana e usinas parceiras da Coopercitrus (Cooperativa de produtores Rurais) em 2021.

O método é inovador porque contribui para a redução no uso de defensivos, o que resulta também em um menor impacto ambiental, com a melhor aplicação de insumos de forma mais eficaz e precisa.

De acordo com Leandro Aparecido Varalda, especialista em Agricultura de Precisão do Departamento de Tecnologia Agrícola da Coopercitrus, em produtores e usinas parceiras tem sido feita a aplicação de herbicidas para controle de folhas largas (Mucuna, Mamona e Corda de Viola) e maturadores no final do ciclo.

“O SprayDrone Coopercitrus nesses dois anos de serviços prestados já atendeu mais de 300 cooperados, entre eles várias usinas distribuídas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás”, afirma Varalda.

Leia também: Com drones pulverizadores Raízen reduz custos na aplicação de herbicidas em até 50%

Ao contrário do que alguns pensam, a pulverização com o uso de drones não vem para substituir operações tradicionais que já são realizadas nos canaviais e sim somar mais uma forma de fazer aplicação de insumos de forma localizada.

“Antes o produtor tinha uma dificuldade muito grande de realizar esse serviço em um canavial onde já não é possível entrar com máquinas e o uso do avião, por ser área pontual (reboleira), muitas das vezes não pode ser feito”, explica Varalda.

Aplicação localizada e econômica

Nas áreas atendidas pela Coopercitrus, de acordo com Varalda, o principal benefício tem sido a redução de uso de insumos, que chegam a cair em 70%.

“No geral, com o uso de trator ou avião, gasta-se mais produto porque aplica-se em mais áreas do que o realmente necessário. Com o uso do drone, podemos ir somente no local onde há real necessidade de insumo”, adiciona.

Além de ganhos para o produtor, Varalda destaca a questão do meio ambiente. “Como o drone é pontual, só pulveriza aonde realmente se faz necessário, é menos produto químico no meio ambiente e menos exposição do operador que faz a aplicação”, adiciona.

Considerando uma aplicação em uma área de 100 hectares, mas no qual apenas 10% da área precisa de aplicação de herbicidas, um produtor ou usina chega a gastar com o sistema autopropelido aproximadamente R$ 11.200, considerando custo de aplicação mais defensivo.

Na pulverização aérea, o custo de operação mais defensivo, para os mesmos 100 ha, sairia em torno de R$ 10.200. Agora, para realizar a mesma operação, mas agora fazendo aplicação apenas onde há infestação, o custo de aplicação mais defensivo sai por apenas R$ 4.120.

A Raízen, com 24 unidades sucroenergéticas no país, também faz o uso de drones pulverizadores para aplicação de herbicidas de forma localizada. A companhia, após a realização de alguns testes, constatou uma economia operacional de 47% e de insumo de 82%.

“A previsão com a utilização em uma área maior é que a economia operacional chegue a 30% e a economia de insumos por volta de 60%. A expectativa da companhia é replicar a solução não apenas em áreas comerciais próprias, mas também estender o uso aos seus fornecedores de cana”, afirmou a Raízen por meio de sua assessoria.

Os testes realizados pela Raízen em conjunto com a ARPAC mostram que por meio do mapeamento realizado com drones, as plantas daninhas foram rapidamente localizadas e a área de pulverização reduzida de 21,2 hectares para 9,79 hectares em lavoura produtiva de cana-de-açúcar.

“Uma área de aproximadamente 46% de infestação teve economia de 26,5% de produto aplicado, em comparação ao método tradicional realizada por aviões agrícolas”, explica Eduardo Goerl, CEO e fundador da ARPAC.

Tempo de voo ainda é gargalo

Um dos maiores problemas hoje para o uso da tecnologia é quanto ao rendimento das baterias dos drones, que duram em média de 15 minutos e tem custo elevado, de acordo com Varalda.

No entanto, estão surgindo drones a combustão, o que deverá resolver o problema com as baterias. “O mercado de drones no Brasil está aumentando cada dia mais, isso é bom para o produtor, pois podem negociar melhor o preço do serviço. No entanto, é preciso ficar atento, pois estão também despreparadas oferecendo o serviço sem qualquer tipo de conhecimento de aplicação, isso pode ‘queimar’ a tecnologia pela má qualidade da aplicação”, alerta.

 

Cadastre-se em nossa newsletter