Home Últimas Notícias Brasil pode aproveitar modelo do Renovabio para expandir descarbonização
Últimas Notícias

Brasil pode aproveitar modelo do Renovabio para expandir descarbonização

Renovabio
Compartilhar

Segundo advogada, ainda há muitas dificuldades e regulamentação do mercado de carbono demorará para se tornar realidade

Os debates sobre os mercados de carbono têm se espalhado entre países do mundo inteiro como forma de diminuir as emissões dos gases do efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global. Apesar de o assunto não ser novo, a implementação dos mercados de carbono ganhou novo fôlego a partir do Acordo de Paris, em 2015, e hoje 65 países e regiões de todo o mundo já possuem algum tipo de precificação de carbono, distribuídos entre tributação direta de emissões, instrumentos de cap-and-trade, certificações de reduções a partir de linhas de base, entre outros.  A precificação é feita com base em medida equivalente a uma tonelada de carbono que deixou de ser emitida para a atmosfera.

No Brasil, o assunto vem sendo muito debatido. Além da publicação do Decreto nº 11.075/2022, também está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 528/2021(apensado ao PL 2.148/2015), que chegou a estar pronto para ser votado em plenário, mas foi retirado de pauta. Já no Senado, o PL 412/2022, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos, atualmente aguarda o parecer da Comissão de Meio Ambiente. Segundo Isabela Morbach, advogada e cofundadora do CCS Brasil, organização sem fins lucrativos que visa estimular as atividades ligadas à Captura e Armazenamento de Carbono, o mercado regulado de carbono é importante, mas demorará até ser regulamentado de fato no Brasil.

“O mercado regulado é importante e pode de fato mudar o futuro da maneira como combatemos as emissões de carbono, mas ainda levará tempo para que esse seja de fato um mercado robusto. Isso porque após a aprovação de um Projeto de Lei que institui o mercado regulado de carbono, ainda será preciso constituir toda a estrutura de governança, como serão definidos os tetos de emissão, definição de metodologias ou critérios para aceitação de metodologias já existentes, como as regras nacionais ou regionais serão compatibilizadas, se terá particularidades por setor além de uma série de outras questões técnicas. Mas ainda que não tenhamos essa definição em breve precisamos pensar em políticas de descarbonização eficientes”, ressalta. Segundo ela, ainda há questões políticas envolvidas e que vai envolver os custos relativos às compras e vendas de créditos de carbono entre as diferentes indústrias.

A especialista destaca que o programa Renovabio, estabelecido por meio da Política Nacional de Biocombustíveis (Lei nº 13.576/2017) e que começou a ser negociado de fato em 2020, é um ótimo laboratório para a expansão desses incentivos. “Trata-se de um programa competente e bem estruturado e que hoje incentiva as indústrias de etanol a reduzir emissões e estimula o desenvolvimento de todo um mercado. O grande ponto é que o Renovabio já definiu diversos parâmetros e metodologias importantes para a estruturação desse mercado e que pode ser expandido para outros segmentos”, destaca.

O Renovabio trata da negociação de CBIOs, espécies de certificados de descarbonização que podem ser adquiridos por empresas para compensar as emissões de carbono. Segundo ela, a indústria do etanol já que possui mais facilidade para a diminuição das emissões. Hoje a comercialização dos CBIOs com as distribuidoras de combustíveis, que tem obrigação legal de compensar suas emissões por meio da compra de CBIOs. Para a advogada, o modelo do Renovabio, embora precise de ajustes e possa adicionar elementos, como a possibilidade de incluir outros combustíveis no seu escopo, tem se mostrado eficiente e poderia ser expandido enquanto o mercado regulado de carbono não é regulamentado.

“Outras atividades que possuem processos industriais em que as possibilidades de redução de emissões são mais difíceis ou cujas tecnologias que viabilizam tal redução ainda não estão tão maduras, poderiam comprar CBIOs. Outros parâmetros já definidos pelo Renovabio também poderiam ser adaptados para outras áreas”, relata.

Entre as possibilidades de aperfeiçoamento existentes está a possibilidade de que o Renovabio possa incorporar novas soluções para esse meio como é o caso da Captura e Armazenamento de Carbono (CCS), que consiste na captura de emissões de carbono vindas de indústrias e no armazenamento subterrâneo do gás, além da possibilidade de também estar ligado à produção de bioenergia.

“O CCS pode capturar o CO2 do processo de produção do etanol e injetar no subsolo, fazendo com que a produção se torne carbono negativo (redução de fato das emissões). Em larga escala isso vai compensar outras atividades que não conseguem reduzir emissões e atualmente os CBIOs não leva em conta o processo de captura. Quando isso acontecer o número de CBIOs emitidos será maior e mais indústrias poderão ser abarcadas nesse tipo de negociação”, afirma Isabela.

Segundo ela, também pode ser importante alinhar as metodologias com as boas práticas internacionais, de modo que seja mais fácil aos produtores de biocombustíveis acessarem mercados de carbono internacionais. “É preciso aproveitarmos os pontos em que o Brasil já avançou até agora e pensar nas possibilidades de adaptar esses modelos para cada segmento de forma a alcançar o cenário mais viável possível tanto financeiramente quanto no viés da sustentabilidade”, finaliza.

Compartilhar

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas NotíciasDestaque

Pecege revisa moagem para 635,5 milhões de toneladas no Centro-Sul, mas reduz projeção do ATR para safra 2026/27

Maior produtividade agrícola e recuperação do TCH sustentaram revisão positiva da moagem,...

Últimas Notícias

Diversificação entre cana, grãos e pecuária ganha peso na estratégia de redução de risco no agro

Modelo produtivo com diferentes culturas ajuda empresas agrícolas a mitigar efeitos de...

raízen
Últimas Notícias

Cosan pode vender participação na Raízen e holding deve ser dissolvida, diz CEO

Com uma diluição relevante da participação da Cosan na Raízen ao final...

DestaqueAgrícolaPopularÚltimas Notícias

Irrigação é usada pelas usinas como ferramenta de estabilidade operacional e redução de risco

 Déficits hídricos, volatilidade climática e busca por estabilidade aceleram irrigação no setor...