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O processo de colheita mecanizada nas empresas do setor sucroenergético vem se transformando ao longo dos anos e novas técnicas vem sendo implementadas.

As oito unidades da Biosev, localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul trabalham com um sistema de colheita que muitos chamam de carrossel, mas a companhia chama de colheita de alta performance. 

De Carlos Daniel Berro Filho, diretor Agrícola da Biosev, em busca de melhorias constantes, a companhia estuda a evolução e possibilidades que ampliem o rendimento em todo processo produtivo.

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“Por isso, desde a safra 2019/20 a Biosev implementou a colheita de alta performance em suas unidades. O que nos motivou foi o ganho de qualidade, produtividade, rendimento operacional e, consequentemente, maior eficiência em custos”, afirma.

Há muita discussão dentro do setor sobre o que é Colheita Carrossel. O modelo de colheita adotado pela Biosev funciona, na prática, da seguinte forma: a abertura de aceiros e a realização da manobra dos equipamentos ocorre em um formato S, que lembra o carrossel, por isso o nome.

“Escolhemos esse sistema com o objetivo de reduzir o trânsito de equipamentos dentro do talhão, reduzir o pisoteio nas cabeceiras, aumentar a eficiência da nossa colheita, reduzindo tempo e ampliando o rendimento operacional”, adiciona Berro Filho.

Colheita Carrossel X tradicional 

A técnica de Colheita Carossel não é uma unanimidade no setor sucroenergético. Por isso, muitos ainda realizam a colheita no formato tradicional.

A Biosev tem de duas até cinco colhedoras de cana e dois veículos de transbordos para cada máquina. Basicamente, no sistema tradicional a orientação é fazer a manobra e fazer a sequência de colheita sempre na linha posterior, ou seja, não colhe rodando.

“Essa é a diferença da colheita de alta performance, que é baseado nessas curvas”, afirma.

O maior ganho observado no CTT da companhia é ter uma sistemática definida de colheita. “Com treinamentos e alinhamentos da equipe, cada um sabe claramente o seu papel e a sua responsabilidade. Essa organização facilita muito no equilíbrio da operação. Com a sistemática, ganha-se no tempo de manobra e, consequentemente, no rendimento de colheita e na redução de custo”, afirma o diretor da Biosev.

Planejamento

A palavra-chave para implementação de qualquer sistema é planejamento. Uma das mudanças que veio com o sistema foi ter o mapa presente no campo para o planejamento da colheita. “Isso foi uma exigência para fazer o sistema funcionar”, afirma Berro Filho.

Apesar do planejamento, não foi preciso a adoção de nenhuma tecnologia adicional para que o sistema de colheita carrossel fosse implementado.

“Nós já utilizamos tecnologia de monitoramento à distância, o Certificado Digital de Cana (CDC), que é um aplicativo que utiliza informações do computador de bordo, com inteligência geográfica embarcada, para integrar a comunicação entre caminhão, transbordo e colhedora, registrando informações como local e horário da colheita, além dos códigos de cada máquina”, explica.

Isso, de acordo com ele, dá maior transparência, rastreabilidade, confiabilidade, segurança e eficiência nas operações de colheita e apontamento do campo até a moenda, eliminando a intervenção humana na captação de informações.

Sobre o sistema de colheita de alta performance, o diretor da Biosev diz que será necessário fazer alguns aperfeiçoamentos tanto na abertura de aceiros, quanto no ajuste da definição dos pontos de transbordamento.

“A mecanização na colheita é um bom caminho a ser percorrido e avança a largos passos. As máquinas colhedoras também estão cada vez mais eficientes, elevando a segurança e a produtividade. Aliando o potencial dos equipamentos com profissionais capacitados, os resultados da colheita serão cada vez mais promissores”, conclui.

Por Natália Cherubin

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