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De acordo com estimativas da Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), serão processadas 50,2 milhões de toneladas de cana, um aumento de 2,86% ante o ciclo passado, quando foram moídas 48,8 milhões de toneladas.

Essa maior oferta de cana decorre de investimentos em renovação de canaviais e em tratos culturais, que poderão compensar os efeitos sobre a produtividade provocados pela seca que ocorreu no ano passado e se estendeu durante o último verão.

“Não é uma melhora eloquente. Estamos fugindo da queda, mas vai depender de clima”, disse Roberto Hollanda, presidente da Biosul, em entrevista coletiva. O dirigente lembrou que houve falta de chuvas entre janeiro, fevereiro e março, justamente o período mais importante para o crescimento da cana.

Por outro lado, a concentração de sacarose na cana deverá ser 0,32% menor, de 138,82 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana processada. A concentração de ATR na cana colhida em Mato Grosso do Sul é em geral menor que a média do Centro-Sul porque as usinas do Estado processam cana ao longo de toda a safra, inclusive no período de entressafra, entre janeiro e março, quando a maior incidência de chuvas dilui a sacarose nas plantas.

E, destoando da tendência geral do Centro-Sul, as usinas de Mato Grosso do Sul deverão dar um pouco mais de preferência para a produção de etanol do que na safra passada, mas com uma diferença pouco expressiva e que se alinha ao perfil mais alcooleiro das unidades do Estado, muitas das quais produzem apenas o biocombustível. Do total da cana a ser moída, 74% deve ser destinado para a produção de etanol, ante 71,47% na safra passada.

A produção total do combustível renovável deverá crescer 6,29%, para 3,05 bilhões de litros, dos quais 850 milhões de litros deverão ser de anidro e 2,2 bilhões de litros de hidratado.

Em contrapartida, a produção de açúcar deverá cair para 1,710 milhão de toneladas, uma redução de 7,44%, ou de 137 mil toneladas, ante a safra passada, quando as usina sul-mato-grossenses produziram um volume recorde de açúcar.

Se confirmada a maior oferta de cana a ser colhida e a tendência mais alcooleira, é possível que as usinas do Estado exportem uma quantidade maior de eletricidade para o sistema, já que haverá mais oferta de bagaço e menos consumo de energia para a produção do açúcar. Na safra passada, o setor cogerou no Estado 2,447 mil gigawatts-hora (GWh).

O Estado ainda não possui usinas que produzem etanol a partir do milho, mas já há um ou dois investimentos que devem ser feitos nessa tecnologia no curto prazo, segundo Hollanda.

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