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O professor de agronegócio global do Insper Marcos Jank afirmou, em entrevista à CNN nesta sexta-feira (30), que o desmatamento ilegal é o “calcanhar de Aquiles” do Brasil. Segundo o docente, as emissões de carbono seriam muito menores no país caso essa questão fosse solucionada.

“Há uma grande oportunidade nessas grandes negociações que virão esse ano, mas temos o problema do desmatamento. As nossas emissões aumentaram por causa disso, o que é responsabilidade do governo”, disse Jank.

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro faz promessas para alcançar a meta de neutralidade de carbono em 2050 na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, os compromissos assinados no Acordo de Paris, em vigor há seis anos, não figuram nas estatísticas do País.

Isso porque o Brasil assinou em 2015, entre outras intenções, que diminuiria o desmatamento, as queimadas e que restauraria 12 milhões de hectares.

No entanto, o ano de 2020 registrou um recorde no desmatamento na Amazônia, como mostram os dados do Imazon. Entre janeiro e dezembro do ano passado, a floresta perdeu 8.058 km² de área verde. Foi a maior perda florestal dos últimos 10 anos.

Além disso, o ano passado teve o maior número de focos de queimadas em uma década, de acordo com o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Referência no mundo

De acordo com o professor do Insper, o foco da procura de soluções para as mudanças climáticas ser as emissões de carbono é inevitável, como foi identificado nos próprios discursos da Cúpula do Clima. Para Jank, o Brasil pode até mesmo se tornar uma referência nessa área.

“A descarbonização é um caminho sem volta, pois Estados Unidos, China e União Europeia representam 50% das emissões e estão em busca de soluções renováveis, então o mundo inteiro deve segui-los”, afirmou o professor.

“O Brasil tem experiência em uso de vento, sol, água e biomassa, portanto podemos ser uma referência para esse mundo da descarbonização.”

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