Conjuntura – Dia de campo

Da Redação

Último Agroencontro da Ourofino Agriciência, realizado no mês de março deste ano

Ter o cliente mais próximo, poder trocar ideias, ouvir sugestões e críticas, apresentar novas tecnologias, prestar e reforçar a assistência técnica e comercial quanto ao valor das soluções da empresa, são apenas alguns dos objetivos dos famosos e conhecidos “dias de campo”, eventos realizados pelas desenvolvedoras de tecnologias para seus clientes e parceiros com o intuito de apresentar novidades, fortalecer o relacionamento e verificar a excelência dos produtos, sempre com a espera do feedback dos agricultores.

Esses eventos servem para estreitar a parceria das empresas com os clientes, ouvindo, entendendo e atendendo suas necessidades para o desenvolvimento dos negócios. Segundo Marco Antônio Gobesso, gerente de Marketing e Produto Cana-de-Açúcar da AGCO, esses encontros são também “o momento em que se deixa de lado o Marketing tradicional e se dá espaço ao MarketingIntegrado, onde a imagem real e os fatores sensoriais são muito mais importantes”. Só para se ter uma ideia, existem empresas que promovem mais de 700 encontros como este por ano.

Para o produtor de cana Guilherme Salis Uitdewilligen, eventos como esses agregam muito ao setor sucroenergético. “Dias de campo são extremamente importantes para dividir tecnologias, inovações, divulgar pesquisas e melhorar a produtividade das diversas culturas que a gente trabalha. ”

Segundo Christian Menegatti, gerente de Marketing para cana-de-açúcar da DuPont Proteção de Cultivos/Brasil, que promove em média mais de 100 eventos como este para o setor canavieiro, a troca de experiências é, sem dúvida nenhuma, o grande retorno. “Poder estar perto do agricultor, discutir seus problemas e necessidades nos dá subsídios para continuar buscando sempre melhorias em nossas ofertas”, explica.

Todas as empresas contatadas pela redação da RPAnews revelaram que o maior retorno dos encontros é a conscientização que é possível transmitir aos produtores e participantes dos eventos. Segundo eles, o principal objetivo é levar conhecimento ao agricultor e também conscientizá-lo dos problemas que tem ou que podem vir a ter e orientá-los sobre a melhor maneira de proceder a fim de obter uma lavoura muito mais produtiva e rentável.

Flavio Cotrin, gerente de Marketing de Culturas da Syngenta, conta que esses eventos possibilitam que tecnologias e resultados alcançados sejam apresentados. “Os dias de campo também nos permitem ficar mais perto do nosso público, o que facilita no compartilhamento de informações e na identificação de demandas, para que assim busquemos prover as soluções lado a lado com nossos parceiros.” A Syngenta chega a realizar mais de 700 eventos anuais, incluindo dias de campo e outros encontros voltados ao público em geral.

No entanto, se engana quem pensa que o intuito é apenas auxiliar os atuais clientes. Daniel Pedroso, coordenador agronômico especialista em Cana-de-Açúcar da Netafim, salienta que além de sanar as dúvidas dos clientes relacionados aos produtos da empresa, os eventos servem principalmente para conquistar novos clientes. “Além de auxiliar e dar toda atenção aos nossos clientes, os dias de campo servem também para abrir novos mercados e conquistar novos parceiros.”

365 DIAS POR ANO
Temas como maturação, aplicações aéreas e melhoria da qualidade da matéria-prima, são os principais assuntos abordados nos eventos da Dupont

Seguindo a necessidade do produtor, os dias de campo acontecem durante todo o ano. De acordo Paulo Donadoni, gerente da Cultura Cana da Bayer, essas datas são escolhidas de acordo com as necessidades do produtor, visando sempre o momento em que a atualização se torna fundamental, ou seja, em datas estratégicas e estipuladas por cada empresa. “Prospectamos e reforçamos pontos críticos do dia a dia da produção do nosso cliente ao longo de toda a safra e entressafra, buscando sempre estar ao lado do produtor não só no momento em que ele demanda o uso de nossas tecnologias, mas ao longo de toda a safra”, relata. 

O gerente de Marketing da Dupont, explica que no início de safra temas como maturação, aplicações aéreas e melhoria da qualidade da matéria-prima são os principais assuntos abordados. “Já no meio de safra damos foco nos tratamentos para controle de ervas daninhas e, durante todo o ano, atuamos fortemente no mercado de broca, que é o segmento que vem trazendo muitos prejuízos as usinas e produtores de cana devido aos grandes danos qualitativos e quantitativos causados por esta praga”, conta Menegatti.

Segundo Everton Molina, gerente Comercial da Ourofino Agrociência, cada evento busca apresentar o portfólio da empresa conforme perfil do produtor rural naquele momento ou região. “Em nossas ações, temos como foco as necessidades do cliente e a adequação das nossas tecnologias a esse público.”

MESMO EM ÉPOCA DE CRISE

Ao contrário do que se pode pensar, as empresas não diminuíram seus gastos com este tipo de evento, mesmo em tempos de crise. Algumas até chegaram a aumentar os valores investidos nestes encontros. A explicação das empresas é que, em momentos como este, a melhor tática é ter os parceiros mais perto ainda. Como é o caso da Netafim, que devido à crise resolveu investir ainda mais em dias de campo e visitas técnicas dirigidas.

Dia de campo da Valtra com a colhedora BE1035e

“Essas visitas se caracterizam pela reunião de grupo de produtores ou técnicos de usinas, que são levados a visitar clientes que já usam o nosso sistema de gotejamento. Com isso, eles podem tirarin loco suas principais dúvidas diretamente com os irrigantes”, afirma Pedroso.

O mesmo fez a DuPont, que segundo Menegatti, continua acreditando fortemente no setor sucroenergético. “Nos últimos três anos não reduzimos nossos investimentos em eventos de divulgação de nossas ofertas para o setor. Ao contrário, 2015 foi um ano muito forte em investimentos nessa área e estamos repetindo a dose com a mesma intensidade em 2016.”

A Ourofino Agrociência é outra empresa que aposta cada vez mais em seus chamados Agroencontros. Este ano os investimentos da empresa foram ainda maiores que nos anos anteriores. “Acreditamos que a tecnologia tem papel fundamental na geração de valor e na busca por produtividade e, por isso, eventos como o AgroEncontro e os organizados por nossos parceiros são essenciais para a recuperação do segmento”, conclui.

(Colaboração de Alisson Henrique)