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A sexta-feira (2) foi marcada por mais uma alta no mercado futuro do açúcar, que viu os contratos subirem 6,9% na semana sob pressão dos impactos das geadas que atingiram várias regiões produtoras de cana-de-açúcar durante pelo menos 3 ocasiões na última semana. As avaliações sobre reais impactos do fenômeno climático serão efetivamente divulgadas nos próximos dias.

Em Nova York, na ICE, o contrato futuro com vencimento outubro/21 fechou a sexta-feira cotado em 18,15 centavos de dólar por libra-peso, 21 pontos, ou 1,2% a mais, do que os preços da véspera. Já a tela março/22 subiu 26 pontos, negociada em 18,37 cts/lb. Os demais contratos subiram entre 6 e 28 pontos.

Segundo a Reuters, operadores afirmaram que o mercado permaneceu com suporte das geadas que atingiram as áreas de cana-de-açúcar no Brasil, maior produtor, esta semana. “Temperaturas (estão) agora previstas para retornar ao normal. Entretanto, qualquer dano para a cana agora está feito e a avaliação irá filtrar pelos próximos dias”, disse Commonwealth Bank da Austrália.

Açúcar branco

Em Londres o açúcar branco fechou em baixa apenas na tela agosto/21, que terminou a sexta-feira cotada a US$ 450,30 a tonelada, desvalorização de 40 cents de dólar no comparativo com a véspera. Já a tela outubro/21 subiu 1,40 dólar, negociada em US$ 471,00 a tonelada. Os demais contratos valorizaram entre 1,70 e 6,70 dólares.

Açúcar cristal

No mercado doméstico a sexta-feira também foi de alta no Indicador Cepea/Esalq, da USP, para o açúcar cristal. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 115,81, variação positiva de 0,86% no comparativo com os preços de quinta-feira (1).

Análise

Segundo análise do diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, a alta da última semana teve como pano de fundo a excessiva preocupação dos efeitos da geada que atingiu as regiões produtoras durante a semana que passou. “No entanto, nove entre dez usineiros consultados descartaram qualquer dano significativo nos canaviais em decorrência do frio. “Somente algumas baixadas foram afetadas”, disse-me um executivo. “Como apenas 35% da cana foi colhida até agora, qualquer área atingida ainda teria tempo suficiente para se recuperar. Se tivermos uma geada no final de agosto [com esse mesmo perfil], aí sim seria comprometedor, pois prejudicaria a cana da próxima safra”, concluiu.

“Para os fundos, a apreensão do mercado provocada pela notícia de geada motivou compras especulativas que colocaram o futuro em NY em níveis recordes (18.49 centavos de dólar por libra-peso na quinta-feira). Mas, algumas coisas ainda carecem de fazer sentido. Os fundos estão posicionados na compra no vencimento outubro que está em desconto em relação ao vencimento seguinte (março/22). Minha suspeita é de que os fundos podem aproveitar esse período (até meados de setembro), em que as cotações sazonalmente sofrem pressão do peso da safra, e começar a liquidar suas posições compradas. Explico: os fundos especulativos raramente ficam comprados em mercado que apresenta carrego”, destacou Corrêa.

O diretor da Archer conclui dizendo que continua “acreditando que os preços do açúcar NY em reais por tonelada no curto prazo devem ceder e, muito embora pouco volume resta para ser fixado contra a safra 21/22, a recomendação permanece a mesma, qual seja a de fixar preços em reais por tonelada e aguardar melhores preços em centavos de dólar por libra-peso para as próximas, pois o cenário é positivo em função das questões aqui discutidas nos últimos comentários: estagnação na produção de cana no Centro-Sul, Índia revertendo para o etanol uma parte da sua produção, retomada do consumo mundial pós-pandemia, melhora do consumo per capita na Ásia, entre outros pontos”.

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