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Coruripe reduz 11,7% a moagem, vê etanol cair 27% e tem queda de 56% no lucro na safra 25/26

Usina Coruripe
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Com menor volume de cana de fornecedores e retração na produção industrial, Coruripe soma 35,9 milhões de sacas de açúcar equivalente

A Usina Coruripe encerrou o acumulado da safra 2025/26, até janeiro de 2026, com moagem de 13,46 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, retração de 11,7% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando havia processado 15,24 milhões de toneladas. A redução foi puxada principalmente pela menor moagem de cana de fornecedores, que recuou 17,4%, enquanto a cana própria apresentou queda mais moderada, de 1,8%. Os dados acabam de ser divulgados em relatório da companhia.

No campo, os indicadores de qualidade e produtividade também apresentaram recuo. O ATR médio da cana total passou de 137,84 kg por tonelada para 136,69 kg/t, queda de 0,8%. A produtividade agrícola média (TCH) caiu 6,5%, para 70,43 toneladas por hectare, e o indicador de quilos de ATR por hectare recuou 7,3%, totalizando 9.627 kg/ha, refletindo menor rendimento por área colhida.

No segmento industrial, a produção acumulada de açúcar equivalente atingiu 35,97 milhões de sacas, redução de 12,9% frente às 41,29 milhões de sacas registradas na mesma posição do ciclo anterior. A produção total de açúcar somou 23,84 milhões de sacas, retração de 4,1%. Dentro do mix, o açúcar VHP totalizou 1,05 milhão de toneladas, queda de 3,0%, enquanto o cristal alcançou 2,82 milhões de sacas, redução de 12,3%. O açúcar demerara foi exceção e apresentou crescimento de 35,3%, alcançando 48,6 mil sacas. O melaço somou 98,9 mil toneladas, queda de 2,8%.

O etanol foi o produto com maior retração no período. A produção totalizou 341,9 mil metros cúbicos, queda de 27,4%, sendo 174,1 mil m³ de anidro, redução de 18,5%, e 167,7 mil m³ de hidratado, retração de 34,8%. A geração de energia elétrica acumulada atingiu 601 mil MWh, queda de 14%, embora a eficiência industrial tenha avançado de 87,62% para 88,30%, indicando melhora operacional mesmo diante do menor volume processado.

Segundo dados do relatório de resultados da Coruripe, no desempenho comercial, o volume de açúcar equivalente vendido somou 31,05 milhões de sacas, retração de 12,4%. O volume total de açúcar comercializado caiu 6,5%, com recuo mais intenso no cristal, de 20,8%. O volume total de etanol comercializado foi de 319,7 mil m³, queda de 22%, refletindo principalmente a redução de 30,8% no hidratado.

Em termos de preços médios brutos, o açúcar equivalente apresentou valorização de 2,8%, atingindo R$ 115,30 por saca. O açúcar VHP registrou leve alta de 0,5%, para R$ 2.453 por tonelada, enquanto o cristal recuou 15%, para R$ 128,03 por saca. O etanol anidro teve preço médio de R$ 3.279 por m³, alta de 13,9%, e o hidratado alcançou R$ 3.236 por m³, avanço de 10,2%. A energia elétrica apresentou preço médio de R$ 231,64 por MWh, crescimento de 9,6%, com destaque para o mercado spot, que registrou valorização de 60,1% no período.

Receita e rentabilidade recuam com menor volume e compressão de margens

A receita bruta consolidada acumulada até janeiro totalizou R$ 3,69 bilhões, queda de 10,1% frente aos R$ 4,10 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. A receita líquida somou R$ 3,53 bilhões, retração de 10,6%. A receita do açúcar equivalente atingiu R$ 3,58 bilhões, queda de 9,9%, enquanto a receita total do etanol recuou 12,8%, para R$ 1,04 bilhão. O açúcar cristal apresentou redução mais acentuada de receita, de 32,7%.

O lucro bruto ficou em R$ 920,5 milhões, retração de 22,5%, com a margem bruta recuando de 30,1% para 26,1%. O EBITDA consolidado foi de R$ 1,40 bilhão, queda de 21,8%. Já o EBITDA ajustado atingiu R$ 1,25 bilhão, retração de 11,5%, mantendo margem próxima a 35%. O lucro líquido acumulado somou R$ 244,9 milhões, queda de 56,1% frente aos R$ 558,6 milhões apurados no ciclo anterior.

No resultado financeiro, as despesas financeiras líquidas totalizaram R$ 382,3 milhões. A variação cambial apresentou efeito positivo de R$ 166,6 milhões, revertendo o impacto negativo observado no exercício anterior.

A dívida bruta encerrou janeiro em R$ 4,29 bilhões, redução de 6,1% frente a março de 2025, enquanto a dívida líquida ficou em R$ 3,58 bilhões, praticamente estável, com recuo de 0,6%. O perfil do endividamento indica concentração em CDI, que representa 75% da dívida, com predominância em moeda local e parcela relevante protegida via hedge cambial. O patrimônio líquido atingiu R$ 3,58 bilhões, crescimento de 9% no período.

Natália Cherubin para RPAnews

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