“Crise do coronavírus tem começo, meio e fim”, analisa gestor

Há pouco tempo a taxa Selic alcançou seu menor nível da história. Comi isso, a Bolsa de Valores se tornou o novo foco para quem desejasse investir. No entanto, a pandemia do Covid-19 derreteu os mercados e colocou boa parte da carteira no negativo, sem distinção entre grandes ou pequenos.
Em entrevista ao E-Investidor, da Folha de SP., Henrique Bredda, sócio-fundador da gestora Alaska Asset Management, que detém R$ 10 bilhões sob gestão, diz que a retomada do mercado de ações deve acontecer quando o ritmo de infectados estabilizar.

A crise do coronavírus pegou os investidores de surpresa. O que fazer?

Historicamente, o erro clássico do investidor nesses momentos é se recolher quando os preços caem. Isso aconteceu na quebra do Lehman Brothers, em 2008, e na eleição presidencial do Brasil, em 2002. Quando a pessoa já está na Bolsa, a solução é não fazer nada e esperar o turbilhão passar.

O número de pessoas físicas na Bolsa mais que dobrou em dois anos no País.

Poderemos ver um efeito de debandada na Bolsa?

Pode acontecer um movimento de troca: sai um grupo machucado que não estava preparado para uma pancada desse porte, mas entra muita gente. Vamos nos acostumar com uma nova safra de pessoas comprando ações nos próximos dez anos. Os mais jovens estão chegando no mercado de trabalho. Eles estão mais acostumados com as plataformas de investimentos. Mesmo em uma desaceleração, esse já é um fluxo estrutural difícil de ser interrompido.

O que vem pela frente?

Fazendo uma analogia, podemos dizer que estamos passando por uma situação de guerra. As pessoas estão sendo obrigadas a ficar em casa, escolas fechando e hospitais com leitos cheios. A diferença é que essa guerra tem começo meio e fim. A gente já viu o fim dela em outras regiões do mundo, então sabemos que é algo que vai passar e precisamos ficar de olho na retomada.

É um bom momento para comprar ações?

O movimento é arriscado para quem pensa no curto prazo. É melhor entrar nos 60 mil pontos do que nos 100 mil. Mas isso para quem está com a cabeça em 2030, e não em 2021.