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CTC inaugura unidade de sementes sintéticas e deve revolucionar o modelo produtivo da cana no Brasil

Desenvolvida ao longo de 15 meses, a estrutura possui 10 mil metros quadrados e capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano em operação de um turno, com potencial de expansão.
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Tecnologia reduz uso de material no plantio, amplia eficiência operacional e integra estratégia para dobrar a produtividade até 2040

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inaugurou, em Piracicaba (SP), a primeira Unidade de Produção de Sementes (UPS) do setor sucroenergético, consolidando um novo avanço no modelo produtivo da cana-de-açúcar no Brasil. A estrutura viabiliza, em escala, o uso de sementes sintéticas, tecnologia que substitui o plantio tradicional de colmos por um sistema mais leve, padronizado e de alta precisão. Os dados foram divulgados pela companhia nesta quinta-feira, dia 16.

Com investimento superior a R$ 100 milhões e parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a unidade representa a transição da pesquisa para a aplicação em larga escala, permitindo que a tecnologia desenvolvida ao longo de mais de uma década chegue ao campo com maior velocidade e consistência.

De acordo com o CTC, a introdução das sementes sintéticas promove uma mudança estrutural no sistema produtivo da cultura. O volume de material necessário para o plantio de um hectare é reduzido de cerca de 16 toneladas de cana para aproximadamente 400 quilos de sementes, com impacto direto na eficiência logística e operacional. Além disso, o novo sistema elimina a necessidade de viveiros, podendo liberar até 5% da área agrícola atualmente destinada à produção de mudas.

A companhia destaca ainda que a tecnologia contribui para reduzir o risco de disseminação de pragas e doenças, melhorar a uniformidade dos plantios e acelerar a adoção de novas variedades, fatores que influenciam diretamente o ganho de produtividade no campo. Do ponto de vista ambiental, há redução no consumo de diesel, menor compactação do solo e diminuição da pegada de carbono da produção.

A UPS nasce como a ponte entre a pesquisa e a operação em escala industrial. Desenvolvida ao longo de 15 meses, a estrutura possui 10 mil metros quadrados e capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano em operação de um turno, com potencial de expansão. O processo produtivo combina ambiente laboratorial controlado com automação industrial, transformando material biológico em sementes sintéticas com padrão elevado de sanidade, uniformidade e escala.

A fábrica conta com um alto controle de qualidade e uso de automatização para a seleção das melhores sementes.

A iniciativa integra a estratégia da companhia de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros até 2040, sem expansão de área, por meio de um sistema integrado de tecnologias. Esse modelo reúne quatro frentes complementares: melhoramento genético, responsável por gerar o potencial produtivo das variedades; biotecnologia, que protege esse potencial ao longo do ciclo; ciência de dados, que amplia a precisão do manejo; e as sementes sintéticas, que conectam e viabilizam a aplicação desse conjunto no campo.

Segundo a companhia, o melhoramento genético já vem entregando ganhos no campo por meio de soluções como a série CTC Advana, com produtividade superior em cerca de 10% em relação às principais referências de mercado e taxa de vitória acima de 80%. Na biotecnologia, a plataforma VerdPRO2 amplia a proteção contra pragas e plantas daninhas, enquanto a companhia prevê o lançamento de um portfólio de 14 novas variedades a partir da safra 2027/28.

Na frente digital, o CTC também avançou em soluções de agronomia de precisão, com atualizações em plataformas como Benchmarking e CTC Sat, além do desenvolvimento de um protótipo de inteligência artificial generativa voltado à análise e recomendação no campo.

Desenvolvida desde 2013, a tecnologia de sementes sintéticas envolveu uma equipe de cerca de 150 especialistas e investimentos estimados em R$ 1 bilhão até o lançamento comercial. Para o CTC, a integração dessas tecnologias marca a transição de ganhos incrementais para um novo patamar de produtividade, com maior previsibilidade, eficiência operacional e impacto no campo.

Com a nova unidade, a companhia avalia que o setor sucroenergético avança para um modelo mais tecnológico, sustentável e competitivo, com potencial de ampliar a produção de bioenergia e reforçar o papel do Brasil como líder global em inovação na cultura da cana-de-açúcar.

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Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

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