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Custos de produção de cana-de-açúcar podem ter alta de até 8% na safra 2025/26

Principal região produtora de cana do país, o Sudeste deve registrar uma colheita de 424,5 milhões de toneladas, 3,4% inferior ao registrado em 2024/25.
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Os custos dos insumos, como fertilizantes, devem puxar essa alta, devido ao câmbio.

O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um cenário desafiador em 2025, com custos de produção que devem continuar pressionados e condições climáticas que podem continuar impactando a produtividade, assim como o cenário visto na safra 2024/25. A Expedição Custos Cana 2025, realizada pelo Pecege Consultoria e Projetos, trouxe à tona dados importantes que mostram que os custos agrícolas para a produção de cana-de-açúcar apresentaram aumento significativo na safra 2024/25, com projeções de crescimento ainda maiores para 2025/26.

A produtividade média da safra 2024/25 foi de 77,2 toneladas por hectare e, de acordo com dados do Pecege, a grande surpresa foi a qualidade da cana, com uma média de 135 kg/t e um nível de pureza média de 83,6%, com canaviais que chegaram até 87,6%. Com esse cenário, o custo médio de produção da cana da safra 2024/25 atingiu, segundo o Pecege, R$ 159 por tonelada. Desse total, 44% da formação do custo está relacionada à operação: mão de obra, maquinários e diesel; 25% estão relacionados a insumos agrícolas, como fertilizantes; e 20% dos custos são com arrendamento ou custo de oportunidade da terra. Os restantes 11% estão relacionados a outros custos.

A formação do canavial registrou um custo médio de R$ 18.014 por hectare em 2024/25 com uma variação de 7,9%, para R$ 19.438 por hectare em 2025/26, refletindo o impacto do aumento nos preços de insumos e operações. O custo de preparo do solo também subiu, passando de R$ 5.279 por hectare em 2024/25 para 5.635 em 2025/26, um aumento de 6,7%.  Já o plantio, que teve um custo médio de R$ 9.455 por hectare na safra passada, deve chegar a 10.198 nesta próxima safra, com um incremento de 7,9%. O CTT, de acordo com João Rosa, diretor de Projetos do Pecege, deve atingir por volta de R$50/t na temporada atual.

Os insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, continuam a pressionar os custos de produção. Em 2024/25, os fertilizantes representaram 4,7% do custo total de preparo do solo, enquanto os defensivos agrícolas responderam por 4,5%. Para a safra 2025/26, espera-se que esses valores aumentem, especialmente devido à alta do dólar e aos preços internacionais de commodities.

Enquanto os fertilizantes representam 10% do custo total de produção, os defensivos agrícolas são responsáveis por 7%, sendo:

  • Herbicidas: 64% (R$ 556/ha)
  • Inseticidas: 25% (R$ 217/ha)
  • Fungicidas: 3% (R$ 30/ha)
  • Nematicidas: 3% (R$ 29/ha)
  • Biológicos: 4% (R$ 37/ha)

O diesel, um dos principais componentes dos custos operacionais, também teve impacto significativo na safra passada, de acordo com o dados do Pecege. O preço do diesel S10, por exemplo, subiu de R5,78 por litro em2023/24 para R$ 6,30 em 2024/25, com projeção de alcançar R$ 6,71 em 2025/26. Esse aumento reflete diretamente nos custos de operações agrícolas, como corte, transporte e transbordo.

Custos industriais devem continuar a subir

No segmento industrial, o custo médio para processar uma tonelada de cana-de-açúcar foi de R$26,24 em 2024/25, com variações entre R$12,28 e R$ 47,65, dependendo da região e da eficiência das usinas. A mão-de-obra industrial representou 33,9% desse custo, enquanto a manutenção industrial respondeu por 30,3%.

Para a safra 2025/26, o Pecege espera que os custos industriais continuem subindo, especialmente devido ao aumento dos preços de insumos químicos e energia elétrica. A projeção é de que o custo de processamento atinja R$28,21 por tonelada, um aumento de 7,5% em relação à safra anterior.

Dados cana pecege

Perspectivas para a safra de cana 2025/26

A safra 2025/26 deve ser marcada por uma recuperação parcial da produtividade agrícola, após os desafios climáticos enfrentados em 2024, como a brotação irregular e a morte de soqueiras nas canas colhidas entre abril e junho de 2024; o atraso no desenvolvimento fisiológico da cana, devido ao estresse hídrico; e a maior necessidade de replantio em 2025, devido à baixa qualidade do plantio realizado entre janeiro e maio de 2024.

Com isso, a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul deve cair 1,44%, atingindo 609,4 milhões de toneladas, segundo a projeção do Pecege. A produtividade agrícola, medida em toneladas por hectare (TCH), deve aumentar 1,1%, saindo de 77,2 t/ha para 79,15 t/ha. A expectativa é que sejam reformados 1,36 milhões de hectares e 0,12 mil hectares sejam de expansão, atingindo 16,6% em áreas de plantio nesta temporada.

Embora exista uma projeção, Rosa afirma que determinar o volume de cana a ser moída será um dos principais desafios da safra no Centro-Sul. “O principal desafio vai ser acertar o quando de cana nos temos no campo, porque andando em volta do talhão, aparentemente, temos bastante cana, mas quando fazemos sobrevoos, vemos que tem bastante áreas com falhas. Então o pessoal está encontrando muita dificuldade para fazer as estimativas. Teremos que refazer estimativas. Esse vai ser um grande desafio”, disse à RPAnews.

LEIA TAMBÉM: Por que sua estratégia de manejo pode estar falhando contra a cigarrinha da cana?

O mix de produção deve se ajustar às condições de mercado, com um aumento na produção de açúcar (51,88% do ATR) e uma redução na produção de etanol (48,12% do ATR). A produção de açúcar deve crescer 5,81%, atingindo 42,16 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol de cana deve cair 9,59%, para 24,05 bilhões de litros.

De acordo com o diretor de projetos do Pecege, os custos de produção de cana-de-açúcar continuam a subir, pressionados pelo aumento dos preços de insumos, combustíveis e operações agrícolas, o que deve tornar a safra 2025/26 bastante desafiadora, com uma recuperação parcial da produtividade, mas com custos operacionais e industriais em ascensão. “Para manter a competitividade, o setor sucroenergético precisará investir em tecnologia, eficiência operacional e gestão de custos, além de buscar alternativas sustentáveis para reduzir o impacto dos insumos e das operações no custo final”, disse.

Natália Cherubin para RPAnews 

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