Prazo para apresentação de plano de recuperação da empresa termina em uma semana
A uma semana do final do prazo para entregar à Justiça um plano de recuperação extrajudicial que já tenha a aprovação de mais de 50% de seus credores, a Raízen acerta detalhes junto a assessores financeiros e jurídicos do que será um texto final para validação de investidores bancários, externos e locais.
A meta é que esse texto esteja pronto até quarta-feira, 3. Do lado dos detentores de dívida em dólar (bonds), a opção que restou foi aceitar o proposto, mesmo depois de algum esforço por condições melhores.
Havia uma expectativa de que um consenso poderia ser fechado neste final de semana, mas não vingou. “O ‘deal’ é complexo e envolve muitos temas e contratos”, disse uma fonte que acompanha de perto as negociações. A mesma fonte defende que há progressos e que a companhia está perto de fechar o plano.
Os detentores de títulos de dívida no exterior (bondholders), que chegaram a sair da mesa há cerca de um mês, participam das conversas. “Acredito que perceberam que não estão com as cartas e que a companhia não tem muito mais o que oferecer sem prejudicar a operação”, disse uma das fontes.
Os títulos de dívida da empresa chegaram a subir na semana passada. “Pegar ou largar”, resumiu a situação uma fonte próxima aos bondhonders. Esse grupo ingressou nas conversas com a empresa nos últimos meses, pedindo uma conversão de dívida de menor proporção e taxas de remuneração mais alta o restante da dívida.
R$ 65 bilhões em dívidas
A Raízen tem R$ 65 bilhões em dívidas sendo renegociadas e divulgou, na semana passada, em seu site de relações com investidores, material de apresentação dos negócios da companhia, projeções futuras e as propostas apresentadas aos credores.
A Coluna do Broadcast apurou que os credores estão praticamente alinhados em termos gerais, mas há “vários detalhes importantes que estão sendo discutidos”.
Entre as questões que ainda seguem pendentes está a cisão das operações das usinas e de distribuição mais à frente e como isso deve constar ou não no texto final. Essa separação era parte da proposta que envolvia um aporte do BTG Pactual meses atrás, mas que não foi aceita pela Shell, cocontroladora da Raízen, junto da Cosan.
Sem o BTG, a Cosan não conseguiu acompanhar o aporte oferecido pela sócia. Assim, ao fim do processo, a empresa de Rubens Ometto deve ser diluída, com o controle passando apenas às mãos da Shell.
De todo modo, a necessidade da cisão futura das operações, para proporcionar uma estrutura financeira e de gestão melhores, segue na mesa.
Mesmo com detalhes a serem fechados, a conta de parte dos negociadores é de que a companhia deve chegar com alguma folga aos 50% para seguir em frente com o plano.
Em nota, a Shell diz que, como acionista, apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada e que funcione para todas as partes.
A companhia está propondo injetar R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural. “A Shell continuará trabalhando em estreita colaboração com a equipe de liderança da Raízen e credores no intuito de assegurar o futuro de longo prazo do negócio”, afirma a nota.
Procuradas, Cosan e Raízen não comentaram até a publicação desta reportagem.
O Estado de S.Paulo| Cynthia Decloedt e Talita Nascimento



