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“Em meio à energia solar, eólica e hidrogênio verde, o velho e bom etanol parece ter sido esquecido”, diz pesquisador da USP

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O Brasil, representado pelos ministros do Meio Ambiente, Marina Silva e da Economia, Fernando Haddad, terminou a sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, colocando metas ambiciosas voltadas ao clima e à proteção à biodiversidade, com planos também de reindustrialização com base na transição ambiental.

No entanto, segundo Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) em entrevista concedida à RádioUSP, em meio à energia solar, eólica e hidrogênio verde, o velho e bom etanol parece ter sido esquecido.

“Nós já temos toda a cadeia pronta: produção, distribuição, comercialização e boa parte da frota adaptada, preparada para o uso do etanol”, afirmou o professor.

Côrtes lembrou que o etanol, diferentemente da gasolina, não sofre com questões geopolíticas que afetam a cotação do petróleo, como aconteceu nas crises da década de 70. Pode sofrer com mudanças no preço do açúcar, mas não é utilizado como ferramenta política e não sofre com questões como a guerra na Ucrânia. Por isso, seria uma alternativa muito boa, mas não é considerada.

A indícios de que o governo volte com os impostos federais sobre a gasolina, etanol, querosene de aviação e gás natural veicular, medida que trariam de volta a arrecadação dos Estados.

Para Côrtes, uma solução seria voltar os preços da gasolina e manter a desoneração do etanol, ou pelo menos parcialmente, como uma forma de incentivar o uso desse combustível. Segundo o professor, a desoneração pode mexer com a inflação e com certeza causará um dissabor junto à população. Outro ponto discutido é a alteração do preço diretamente na Petrobras, que vende o petróleo para fora e importa.

“Se ela [Petrobras] resolver praticar preços menores, isso poderia causar uma distorção muito grande no mercado, porque hoje ela já não consegue abastecer 100% do mercado nacional. Ela abastece cerca de 70% do mercado, então os importadores privados, que vão suprir cerca de 30% do restante, poderiam ter o seu negócio inviabilizado e simplesmente parar de importar”, explica ele em entrevista.

Etanol para o meio ambiente

O etanol é uma grande opção de combustível sustentável, que já possui toda a cadeia de produção instalada e adaptada ao nosso país – além de ser possível há anos abastecer os carros com ele. “O etanol em si é neutro. O CO2 que ele joga para a atmosfera, quando é queimado, é recuperado quando do plantio da próxima safra”, explica Côrtes.

Para o professor, mesmo com uma pequena emissão associada ao transporte do etanol, feita por caminhões movidos a diesel e do plantio, que ocupa grandes espaços de terra, ainda sim, o etanol é uma ótima opção.

“Quando se  pensa que a energia solar e a eólica custam muito dinheiro, principalmente de instalação, e não são aconselháveis a todo o território brasileiro, por conta de diferenças de incidência solar e de correntes de ar, o etanol se apresenta como o combustível do futuro. Pelo menos em nosso país”, disse em entrevista. (ouça completo aqui)

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