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Empresa britânica vai investir mais de 1 bilhão de reais em canaviais brasileiros

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Alisson Henrique

A britânica BP Bunge Bioenergia anunciou que deseja elevar a produção de energia a partir de fontes renováveis. Apesar da companhia mirar no etanol no Brasil, devido a pandemia, é a produção de açúcar que tem pago as contas da petrolífera.

A crise causada pelo novo coronavírus reduziu drasticamente a circulação dos carros, impactando diretamente na demanda de etanol.  O fato fez com que o açúcar passasse a dar mais retorno do que o biocombustível.

No Brasil, o segundo maior produtor mundial de etanol, depois dos EUA, o setor também foi atingido pela limitação do preço da gasolina durante sete anos, o que prejudicou a demanda.

De acordo com Mario Lyndenhayn, responsável pelas operações da BP no Brasil, a britânica administra atualmente no país 11 usinas de açúcar e etanol juntamente com a gigante americana do agronegócio Bunge.

Segundo ele, isso significa que a joint venture foi forçada a transformar mais cana em açúcar às custas da produção do biocombustível — isso, logo no primeiro ano de operação.

Em setembro, a companhia prometeu reduzir a produção de petróleo e gás em 40% ao longo da próxima década e multiplicar por 20 a produção de energia renovável. O etanol brasileiro é fundamental para alcançar essa meta.

“Os preços do açúcar em reais saltaram para um nível muito atraente para as usinas no Brasil”, disse Geovane Dilkin Consul, CEO da joint venture, em entrevista a Bloomberg. Esse movimento permitiu que a indústria “não sofresse muito”.

As usinas podem destinar mais ou menos cana para fazer açúcar ou etanol, dependendo de qual produto oferece melhor retorno. Enquanto a maior parte do açúcar é exportada, o etanol abastece a frota doméstica de carros flex.

Afim de garantir o lucro com o açúcar, a petrolífera BP fez contratos de hedge para toda a safra atual a um preço quase recorde em reais. Para a temporada do ano que vem, os contratos garantidos foram a preço 10% maior.

“Quando compraram usinas de açúcar e etanol, as multinacionais focaram demais em ativos industriais em vez da qualidade dos canaviais. Nossa curva de aprendizado foi dolorosa”, acrescentou Lyndenhayn, que também atua como presidente executivo da BP Bunge Bioenergia.

Ainda assim, a BP mira no etanol brasileiro. A joint venture planeja gastar mais de R$ 1 bilhão nos canaviais e R$ 200 milhões adicionais em ativos industriais. A joint venture pretende economizar cerca de R$ 1 bilhão em três anos a partir da captura de sinergias.

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