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O etanol está mais rentável que o açúcar para as usinas. Com os elevados preços do hidratado no início de safra e as cotações do açúcar caindo nas últimas semanas, o biocombustível passou a ser mais rentável à usina comparado com o adoçante.

Diferentemente do início difícil na safra 2020/21, com o preço do hidratado alcançando R$ 1,42/l (Paulínia sem impostos) em abril/20 causado pelo advento da pandemia do coronavírus no Brasil, a temporada 2021/22 tem sua abertura marcada por preços recordes para o biocombustível.

De acordo com o Itaú BBA, para entender o cenário atual das cotações do etanol é preciso lembrar que ao longo de 2020/21 os preços de açúcar se mostraram mais rentáveis às usinas na esteira da valorização do dólar frente ao real, o que fez com que o volume de ATR fosse direcionado para a produção de açúcar.

O resultado disso foi um enxugamento da oferta de etanol, cujos efeitos foram sentidos, principalmente, na entressafra com os baixos estoques do biocombustível.

“Essa queda dos estoques do etanol abriu espaço para um forte movimento de alta nas cotações do biocombustível no final da safra 2020/21, que foi influenciada também pelo atraso no início da moagem 2021/22 na região Centro-Sul, com os produtores postergando a colheita para obter uma cana com maior produtividade”, afirmam os analistas do banco.

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No entanto, mesmo com a possibilidade de mudança de mix de produção e apesar das diversas vantagens do etanol como vendas e recebimentos mais rápidos (encurtamento do ciclo de caixa), o impacto na mudança de mix será pequeno, pois há uma grande preocupação em relação ao volume de cana da safra atual.

“Mesmo sendo consenso que o clima seco terá impacto nesta safra, a quantificação da produtividade ainda tem grande variação entre os players do mercado”, afirmam os analistas do banco.

Considerando os fatores climáticos que têm influenciado negativamente o volume de cana disponível na safra 2021/22 e  as fixações de açúcar já realizadas, o total de etanol a ser produzido, mesmo com o incremento da produção proveniente do milho, deverá ser menor que o da safra 2020/21.

“Esse cenário somado ao avanço da vacinação no país e à aceleração da economia local, nos faz projetar um aperto relevante no balanço do produto no Brasil. A nossa estimativa é que o consumo de combustíveis de CicloOtto deverá crescer 7%”, afirmam.

Redução do consumo de hidratado

 E com o cenário de oferta e demanda de hidratado apertado, a tendência é de que os preços nas bombas se mantenham em paridades próximas dos 70% praticamente em todo período de safra até setembro/outubro, quando a relação poderá ser ainda maior para frear a demanda do etanol na entressafra.

Outro ponto importante a ser considerado, de acordo com o Itaú BBA, é que com a oferta de etanol total menor do que em 2020/21 e aumento da demanda do Ciclo Otto, haverá consequentemente redução do share do hidratado na matriz de combustíveis, o que também deverá ser influenciado pela priorização da produção de anidro.

“O volume produzido do anidro no acumulado da safra até a 1ª quinzena de junho foi 15% maior do que o mesmo período da temporada anterior mesmo com a moagem 11,6% menor.”

Por Natália Cherubin com informações do Itaú BBA
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