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Forte demanda por açúcar no Brasil agrava déficit global

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O Brasil registra aumento sem precedentes da demanda doméstica por açúcar, e o forte consumo interno do maior produtor mundial da commodity agrava o cenário de déficit global.

As usinas da região Centro-Sul, que responde por 90% da produção de açúcar do país, venderam quase 10% a mais da commodity ao mercado interno de abril a outubro em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

“A maior parte do volume adicional foi vendida para a indústria”, disse o diretor da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.

A Unica ainda avalia se parte dos dados mais recentes inclui açúcar para o mercado externo, segundo Rodrigues. Independentemente disso, qualquer aumento da demanda interna ameaça a disponibilidade de exportação de açúcar, diante dos pedidos de volumes recordes para lidar com o déficit global.

A pandemia mudou a forma como as pessoas consomem alimentos. Além disso, o programa de auxílio emergencial do governo impulsionou a demanda em regiões mais pobres como o Nordeste, disse Gustavo Theodozio, executivo da M. Dias Branco, grande produtora de biscoitos do país.

As compras de açúcar da empresa deram um salto de 21% neste ano até setembro para atender ao aumento semelhante das vendas de biscoitos.

A maioria dos setores consumidores de açúcar, como o de refrigerantes e produtos de tomate processado, acelerou os pedidos em meio ao aumento das vendas, disse Bruno Lima, responsável por açúcar da corretora de commodities StoneX, em referência aos clientes da empresa.

“As pessoas e famílias têm consumido refrigerantes em garrafas de dois litros em vez de latas, como antes da pandemia”, disse Lima.

Os preços spot do açúcar cristal nas usinas de São Paulo subiram 45% neste ano, para um recorde, puxados pelas fortes exportações e baixa oferta doméstica, de acordo com o Cepea, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ligado à Universidade de São Paulo.

“Se o impacto da Covid sobre o consumo brasileiro de açúcar for menor do que o previsto anteriormente, como é o caso dos EUA, o país poderá ter menos excedente exportável na próxima temporada”, disse em entrevista por telefone Maria Afonso, analista do Rabobank International nos Países Baixos.

O déficit global de açúcar será maior do que o antecipado nesta temporada devido à piora das perspectivas de produção no Brasil, na União Europeia e na Rússia.

Agora, a escassez é estimada em 3,5 milhões de toneladas em vez dos 0,7 milhão de toneladas previstos em agosto, disse a Organização Internacional do Açúcar na terça-feira.

Os futuros em Nova York subiram para o maior nível em três anos no início desta semana depois que a França reduziu a estimativa de produção devido à seca, enquanto a tempestade mais forte do Atlântico neste ano ameaça lavouras na América Central.

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