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Maior produção de açúcar no Brasil pressiona preços no mercado internacional

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Os preços do açúcar recuaram no mercado internacional e atingiram os menores níveis em cerca de uma semana e meia, pressionados pelo aumento da produção no Brasil, principal player global do setor. Dados recentes indicam avanço na oferta e maior direcionamento da cana para o açúcar, reforçando o viés baixista das cotações.

O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio fechou o dia com queda de 0,03 centavo de dólar, ou 0,2%, a 15,52 centavos de dólar por libra-peso, recuando em relação à máxima de cinco meses, de 16,10 centavos de dólar por libra-peso, registrada na segunda-feira, 31. Já o contrato mais ativo do açúcar branco caiu 0,8%, para US$ 448,50 a tonelada.

De acordo com relatório divulgado pela UNICA, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26, entre outubro e meados de março, alcançou 40,25 milhões de toneladas, alta de 0,7% na comparação anual. No mesmo período, as usinas ampliaram o mix açucareiro, com 50,61% da cana destinada à produção de açúcar, ante 48,08% no ciclo anterior.

Segundo análise da Barchart, esse aumento da produção brasileira tem sido um dos principais fatores de pressão sobre os preços. “A maior produção de açúcar no Brasil está pesando sobre as cotações”, destaca o relatório, ao apontar o crescimento da oferta global como elemento central do movimento recente de queda.

Apesar da pressão negativa, o mercado encontrou suporte pontual na valorização do real frente ao dólar, que atingiu o maior nível em duas semanas. A moeda brasileira mais forte tende a desestimular as exportações, limitando parcialmente as perdas nos preços internacionais.

Outro fator relevante no curto prazo é o comportamento do petróleo. A recente alta da commodity energética elevou os preços do etanol e pode incentivar as usinas a direcionarem maior volume de cana para o biocombustível, reduzindo a produção de açúcar e oferecendo algum suporte ao mercado.

Além disso, questões logísticas também têm influenciado o equilíbrio global. O fechamento do Estreito de Ormuz impactou cerca de 6% do comércio mundial de açúcar, restringindo a oferta de produto refinado e contribuindo para sustentar parcialmente os preços.

Superávit global segue no radar

No entanto, o pano de fundo do mercado continua sendo de excesso de oferta. Analistas da trading Czarnikow projetam superávit global de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após excedente ainda maior de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.

Outras consultorias reforçam esse cenário. A Green Pool estima superávit de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26, enquanto a StoneX projeta excedente de 2,9 milhões de toneladas no mesmo período.

Já a International Sugar Organization prevê superávit global de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, revertendo o déficit observado na safra anterior. Segundo a entidade, o aumento da produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão tem sido determinante para esse cenário.

Na Índia, a produção entre outubro e meados de março somou 26,2 milhões de toneladas, avanço de 10,5% na comparação anual. A expectativa é de que o país produza 29,3 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que pode ampliar as exportações e adicionar mais pressão ao mercado internacional.

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Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

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