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Mais etanol na gasolina pode reduzir preço e importações, diz presidente da Unica

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O aumento da mistura de etanol na gasolina pode reduzir o preço do combustível e diminuir a necessidade de importações pelo Brasil em um momento de volatilidade no mercado internacional de petróleo, afirmou em entrevista o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi.

“Se aumentarmos 1% ou 2% de etanol na gasolina, isso tende a diminuir o preço da gasolina. Isso é um fato”, disse. Segundo ele, além de ter custo médio inferior ao da gasolina, o biocombustível também aumenta a octanagem do combustível, o que permite uma gasolina mais barata.

De acordo com Gussi, ampliar a participação do etanol também teria impacto na balança comercial. “Além disso, reduz a demanda por importação de gasolina”, afirmou.

O debate ocorre em um momento em que o setor projeta aumento da produção do biocombustível na safra 2026/27. Estimativas de mercado apontam que a oferta pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada tanto por uma safra mais alcooleira de cana quanto pela expansão do etanol de milho.

Segundo o dirigente, a indústria teria capacidade de atender uma eventual elevação da mistura – hoje em 30%, com limite legal de até 35% – sem comprometer o abastecimento. “Absolutamente sem impactos. Isso não seria problema sob o ponto de vista da oferta de etanol”, afirmou.

Para Gussi, a maior disponibilidade do biocombustível reforça o papel do etanol como proteção do consumidor brasileiro em períodos de alta do petróleo. “No caso de a gasolina subir por esse choque que estamos vendo em virtude da guerra, o etanol normalmente funciona como um amortecedor importante”, disse.

Na avaliação do dirigente, essa capacidade representa uma vantagem estratégica construída ao longo de décadas pelo Brasil. “Hoje temos a possibilidade de fazer frente a choques como esse com o etanol hidratado”, afirmou.

Ele destacou que poucos países têm alternativa semelhante: “Nos demais países não existe essa possibilidade de ofertar um substituto para a gasolina. No Brasil, com o etanol, nós temos essa alternativa”.

A eventual elevação da mistura, porém, depende de decisão do governo federal. Segundo Gussi, a indústria tem contribuído com informações técnicas para subsidiar as discussões. “O governo tem analisado pormenorizadamente cada uma das possibilidades. Como indústria, respeitamos a autoridade governamental para tomar esse tipo de decisão”, disse.

Além do aumento da produção, o setor também aposta em campanhas de estímulo ao consumo para ampliar o uso do biocombustível. Segundo Gussi, a campanha Vá de Etanol continuará ativa com caráter educativo.

“Muitas vezes, o consumidor nem sabe que tem um veículo flex”, afirmou. “A campanha busca mostrar que o etanol pode ser melhor para o carro, gerar economia e reduzir a manutenção”, completou.

Agência Estado

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