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Melhora das chuvas na Índia pressiona açúcar, mas déficits globais limitam perdas

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Recuperação da monção aumenta expectativa para a safra indiana, enquanto revisões de Green Pool e StoneX e a alta do petróleo evitam queda mais acentuada das cotações

Os preços do açúcar encerraram a quarta-feira (29) sem direção única nas bolsas internacionais. O contrato outubro/26 do açúcar bruto negociado em Nova York recuou 0,34%, para o menor nível em uma semana e meia, enquanto o açúcar branco negociado em Londres avançou 0,35%. O mercado continuou pressionado pela melhora das chuvas de monção na Índia, fator que reforça as expectativas de recuperação da produção do país, mas encontrou sustentação nas revisões para déficits globais de oferta na safra 2026/27.

Segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), o déficit acumulado de chuvas da monção caiu para 15% abaixo da média histórica até 29 de julho. A melhora é significativa em relação ao fim de junho, quando o déficit chegava a 42%, alimentando preocupações de que o país enfrentaria a monção mais fraca dos últimos 11 anos.

A recuperação das precipitações reduz parte das preocupações com a produtividade da cana-de-açúcar na Índia, segundo maior produtor mundial da commodity, e aumenta as expectativas para a oferta global de açúcar.

Apesar dessa pressão, as perdas foram limitadas após novas revisões para o balanço mundial de oferta e demanda. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit global na temporada 2026/27 para 3,3 milhões de toneladas, ante previsão de 1,76 milhão de toneladas divulgada em junho. Um dia antes, a StoneX também revisou suas projeções, aumentando o déficit esperado para 1,7 milhão de toneladas, frente aos 550 mil toneladas estimados anteriormente.

Outro fator de sustentação veio do mercado de energia. O petróleo WTI avançou mais de 6% na sessão, movimento que tende a fortalecer os preços do etanol e aumentar a atratividade da destinação da cana para a produção do biocombustível, reduzindo potencialmente a oferta de açúcar.

Na avaliação do diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, o mercado segue operando em um ambiente de elevada volatilidade, mas ainda sem um fator capaz de alterar de forma consistente os fundamentos globais da commodity. Segundo ele, enquanto notícias como a melhora das chuvas na Índia pressionam as cotações, fatores como o petróleo, as perspectivas para o etanol e as revisões de déficit mundial continuam oferecendo suporte ao mercado, mantendo os preços dentro de uma faixa relativamente estreita.

Além disso, o mercado segue monitorando os impactos do fenômeno El Niño sobre as principais regiões produtoras. A expectativa é que o evento climático reduza as chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia, três dos maiores produtores mundiais de açúcar.

No início de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) informou que o El Niño formado no Oceano Pacífico Equatorial pode se tornar um dos mais intensos dos últimos 75 anos. Já o serviço meteorológico da Índia reduziu recentemente sua estimativa para as chuvas da monção entre junho e setembro para 90% da média histórica, abaixo da projeção de 92% divulgada em abril.

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