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Apesar da retomada do consumo de combustíveis no Brasil, o mercado ciclo Otto (de combustíveis para veículos que rodam a gasolina e etanol), tradicionalmente vinculado ao comportamento de consumo das famílias, ainda não deve se recuperar completamente do tombo observado após a eclosão da pandemia até, pelo menos, 2022. As projeções constam em análise das perspectivas de mercado no curto prazo, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

De acordo com a estatal responsável pelo planejamento energético do Brasil, o consumo de combustíveis líquidos no Brasil, como um todo, deve fechar 2021 abaixo dos níveis de 2019 e só retomar os patamares anteriores à pandemia em 2022. As vendas do ciclo Otto, porém, não conseguirão atingir o feito e devem totalizar 52,36 bilhões de litros no ano que vem, em gasolina equivalente – níveis abaixo dos 54,64 bilhões de litros registrados em 2019.

Embora a demanda por gasolina esteja em alta, as vendas de etanol hidratado sofrem uma forte baixa — o que tem contido a recuperação do ciclo Otto.

A previsão é que a comercialização do combustível fóssil suba 7,9% em 2021 e 1,1% em 2022. A projeção é que, este ano, sejam consumidos 38,8 bilhões de litros da gasolina, acima dos patamares de 2019.

A demanda por etanol hidratado, por outro lado, deve cair 11% em 2021, impactada negativamente por fatores como a queda na safra de cana-de-açúcar, devido à geada e ao déficit hídrico em importantes regiões produtoras.

Para 2022, a previsão é de alta de 6,7% no consumo do biocombustível, para 18,8 bilhões de litros. Mesmo assim, o crescimento das vendas no ano que vem não será suficiente para recuperar os patamares de 2019, de 23,2 bilhões de litros.

As estimativas da EPE indicam, por outro lado, uma consolidação da trajetória de crescimento na demanda por diesel no país. Alavancado pela agropecuária, mineração e comércio eletrônico, o consumo do derivado tem registrado máximas históricas em diversos meses em 2021 (março, abril, junho, julho, agosto e setembro).

A previsão é que as vendas do combustível cresçam 7,6% em 2021 e 1% em 2022. Os volumes do mercado de diesel têm crescido ano a ano, mesmo durante a pandemia. A estimativa para o ano que vem é que a comercialização atinja os 62,5 bilhões de litros, 9% a mais que os níveis de 2019.

Outro derivado que tem crescido mesmo durante a pandemia é o gás liquefeito de petróleo (GLP). A EPE destaca que as vendas vinham exibindo um bom desempenho em 2021, mas que aumentos recentes nos preços do botijão têm afetado a demanda, sobretudo em famílias de baixa renda. A previsão é que, depois de crescer 3% em 2020, a demanda pelo produto caia 0,4% este ano. Para 2022, a estatal estima que as vendas devem se recuperar com a implementação de programas de transferência de renda, como o Gás para Brasileiros, aprovado no Congresso, e subam 0,9%, para 13,7 milhões de metros cúbicos — 3,8% a mais que o registrado em 2019.

A EPE estima, ainda, uma recuperação gradual das vendas de querosene de aviação (QAV). Com o avanço da vacinação contra a covid-19, o consumo do derivado tem se recuperado nos últimos meses, mas ainda em números muito inferiores ao da prépandemia. A previsão é que as vendas do combustível cresçam 23% em 2021 e 31% em 2022, mas só voltem a alcançar os níveis anteriores à pandemia no fim de 2022.

Além da crise sanitária, a desvalorização do Real frente ao dólar desestimula viagens internacionais por parte dos brasileiros. Para o ano que vem, a projeção é de comercialização de 5,7 bilhões de litros, 18,5% abaixo dos níveis de 2019.

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