Para o produtor de cana que não antecipou a compra de insumos: qual a melhor hora?

Natália Cherubin

Com a alta do dólar e com o cenário imprevisível para o câmbio para o restante do ano, como o produtor de cana, que não antecipou suas compras para os tratos culturais, tão necessários pós-colheita, saberá o melhor momento para compra destes insumos?

De acordo com Peterson Santos, Analista de Mercado do Pecege, ao fazer uma análise do mercado externo entre 2019 e 2020 é possível notar que existe uma tendência de preços estáveis ou com redução para os fertilizantes, mas essas eventuais quedas têm sido mais que superadas pela desvalorização cambial.

Sendo assim, dada a expectativa de um alívio no câmbio ao longo dos próximos meses, seria recomendado aguardar o quanto fosse possível para investir nestes insumos, porém correndo um risco muito grande.

Leia também: 4 fatores que estão animando os produtores de açúcar brasileiros

“Me parece que comprar agora não é o ideal, devido ao ‘overshooting’ do câmbio, mas também não aguardaria muito tempo para fazê-lo diante das incertezas”, afirma o Analista de Mercado do Pecege.

Apesar do câmbio essa semana ter tido uma leve queda, ainda não é o momento de comprar porque os fertilizantes foram comprados com dólar, que chegou a R$ 6 reais, então isso deverá ser repassado, de acordo com Santos. “O câmbio já melhorou, mesmo assim, agora não é um bom momento”.

Produtor que tem capital pode arriscar

Olhando meramente as perspectivas para o câmbio e para os preços lá fora, esperar um ou dois meses poderia ser a posição ideal para a compra de insumos, mas como o câmbio é extremamente incerto, há um componente de risco muito grande nessa estratégia.

Mas será que para os produtores de cana que tem caixa compensa investir agora? “Me parece que sim, se o produtor estiver disposto ao risco, valeria a pena. Se possível, deveria investir no travamento do câmbio futuro, evitando surpresa lá na frente”, afirma o Analista de Mercado do Pecege.

Mirela Gradim, superintendente da Coplana (Cooperativa Agroindustrial), afirmou, em live sobre os Impactos da Covid-19 no setor, realizada na última sexta-feira, 22, que mesmo com as incertezas com relação ao câmbio, os produtores mais capitalizados em função de também produzirem cereais, tem buscado antecipar as suas compras.

“Cerca de 25% dos nossos cooperados também tem atividades de cerais, o que possibilita que eles possam fazer essa antecipação”, disse.

De acordo com Carlos Eduardo Pinelli, superintendente do Sicoob Coopecredi, afirmou em live que o banco está antecipando com seus cooperados todas as informações sobre área de plantio para que façam a antecipação do custeio da safra 2020/21.

“O produtor de cana precisa ter a tranquilidade para trabalhar. Se anteciparmos nosso custeio, deixando o recurso disponível para que o produtor compre o insumo dele, ele continuará investindo na sua lavoura”, disse Pinelli em live realizada pelas entidades parceiras Socicana, Coplana e SicoobCopecredi, que atuam na região de Guariba e Jaboticabal, SP.