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Parceria levará internet a 90 mil hectares em estado

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Uma área de 90 mil hectares no Mato Grosso é a aposta da Vivo para se consolidar como empresa de telecomunicação do ramo agro. Sete torres de internet 4G são o trunfo da UISA, indústria de bioenergia e açúcar, para inovar a forma como o setor sucroalcooleiro faz a gestão de dados via internet no campo.

A parceria entre Vivo e UISA pretende combinar conexão, IoT (internet das coisas, em português), big data e sensores para monitoramento em um único projeto na Fazenda Guanabara, gerenciada pela UISA.

Além da distribuição do sinal 4G, viabilizando conexão de voz e dados, o projeto conta com as redes Narrow Band IoT e Long Term Evolution for Machines. Nomes complicados, mas soluções necessárias. A primeira rede possibilita conectividade com dispositivos estáticos, como sensores, enquanto a segunda permite a troca de dados com dispositivos móveis, como computadores de bordo.

“É um projeto muito recente e existe um planejamento para que 100% da área seja coberta. A ideia é que a gente cubra desde áreas mais próximas da sede até as mais distantes dentro dos 90 mil hectares. O plano de implementação já começou, e a ideia é que até dezembro as torres já estejam levantadas e entregando sinal”, projeta Diego Aguiar, head de IoT, Big Data e Inovação B2B da Vivo.

Na Fazenda Guanabara, três das sete torres já foram instaladas, e a expectativa para a distribuição do sinal é muito alta. Isso porque, segundo Rodrigo Gonçalves, gerente de tecnologia da informação da UISA, a empresa conta com tecnologias como o piloto automático, mas a transferência de dados da máquina para o escritório ainda é feita de forma offline.

“A grande expectativa é que essa informação seja 100% online, para tomar a decisão rápida. Com toda essa digitalização do projeto, a gente consegue olhar qual funcionário está mais próximo para fazer a manutenção e entrar em contato com ele para que a solução seja feita em tempo real”, conta Gonçalves.

Agricultura 4.0 na prática

Com capacidade de produção de 1.500 m³ de etanol e 2 mil toneladas de açúcar por dia, a UISA já sabe, na prática, o quanto a aliança entre conectividade e informação é rentável. A empresa já economizou entre 2% e 3% com combustível devido à automação de processos. Além disso, a substituição do relógio de ponto no campo por 100 telefones móveis, disponibilizados pela Vivo, poupou R$ 1 milhão. Os funcionários passaram a bater o ponto via reconhecimento facial pelo celular.

O gerente de TI da UISA conta com 850 ferramentas tecnológicas no dia-a-dia dos negócios, entre sensores, drones e outros equipamentos, mas que oscilam entre online e offline. “A maior cobertura da região é a da Vivo, mas que chega apenas a 30% da área, então ainda é muito baixa. Por isso, a expectativa [do projeto] é tão alta, para que tudo realmente passe a funcionar em tempo real”, destaca.

Além do trabalho conjunto com a Vivo, a indústria tem entre 30 e 35 outros parceiros que englobam o projeto de Agricultura 4.0, do qual Gonçalves é responsável. “A Vivo é uma das principais parceiras e, agora, passa a entregar um pacote não só de internet, mas de machine learning, IoT e big data”, afirma.

Investimento

Alegando ser informação estratégica, as empresas não revelaram qual o investimento feito no projeto. Entretanto, Diego Aguiar diz que a Telefônica Brasil, grupo no qual a Vivo está inserida, fez aportes de grande proporção para elaborar um portfólio de digitalização no campo, que vem sendo trabalhado há dois anos. Sobre a parceria, especificamente, ele enfatiza que foi um “investimento consideravelmente grande”.

Por parte da UISA, Rodrigo Gonçalves conta que, para a realidade da indústria, em menos de uma safra o investimento se paga. Para ele, o importante é o quanto se explora do valor que foi destinado. “Se for para conectar apenas 10 colheitadeiras, não vale a pena, mas se você for conectar o campo todo, vale muito, como é o nosso caso. Isso ajuda também a comunidade, pois você leva comunicação para o campo, para famílias, para todo mundo”, explica.

Do campo à cidade

Outro ganho proporcionado pela digitalização no campo é a qualidade do alimento que chega ao consumidor. Para Gonçalves, detectar um problema na cana e poder resolver imediatamente permite que um produto biológico seja aplicado em vez de um agrotóxico.

“A gente está em um mundo cada vez mais saudável, com menos agrotóxico, e a própria sociedade está exigindo isso. Quando você tem informação em tempo real, consegue aplicar biológicos rapidamente, não precisa aplicar o químico, e isso diminui o custo para o consumidor, como é o açúcar, no nosso caso”, explica.

Na visão de Aguiar, o benefício do menor custo de produção viabilizado pela conectividade é algo que também deve chegar aos pequenos produtores. Ele afirma que a Vivo está em contato com cooperativas para que a conexão seja distribuída em pequenas áreas produtivas, como no extremo Sul e no Norte do país. “Queremos abarcar a maior quantidade possível de produtores. Por isso, o portfólio de IoT que trabalhamos é em formato P, M, G. Quando a gente precificou o portfólio, pensamos do pequeno ao grande”, salienta.

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