Há estudos para um aporte de pouco mais de R$ 8 bilhões na companhia e outras iniciativas
A elaboração do desenho inicial de um plano para capitalização da Raízen e reestruturação de seu passivo tirou pressão dos papéis emitidos no exterior pela companhia de renováveis do grupo Cosan. Na semana passada, esses títulos chegaram a operar em patamares de preço que representavam uma perspectiva de recuperação de apenas 30% do valor de face, diante de sinais de dificuldades em uma capitalização prometida no ano passado por Cosan e Shell – que têm 50% da Raízen, cada –, da ausência de notícias sobre vendas de ativos e do rebaixamento da nota da empresa para CCC (patamar de alto risco) pela Moody’s.
No entanto, as informações de que há estudos para uma capitalização no total de pouco mais de R$ 8 bilhões na Raízen, cisão da empresa em dois negócios e a conversão de 25% das dívidas em ações soaram bem no exterior.
Outro fator que contribuiu para uma visão positiva foram os esclarecimentos feitos pela gestão do grupo, após a divulgação de um prejuízo de R$ 15,6 bilhões, de que não há vencimentos próximos e de que a piora da nota de crédito não acionará vencimentos antecipados de dívida.
Os títulos da Raízen no exterior passaram a ser negociados a 50% do valor de face. Alguns analistas estimam que o plano de capitalização, ainda que não oficial, permitiria a recuperação de cerca de 70% dos créditos.
Pressão caiu
A perspectiva de que poderia haver um pedido iminente de proteção à Justiça contra os credores da companhia arrefeceu. Agora a percepção nesse grupo é de que, mesmo ainda em situação desafiadora, a companhia está buscando um desfecho melhor para o problema de seu endividamento.
“A injeção de capital e a conversão de 25% da dívida em ações reduzem a pressão sobre o fluxo de caixa livre e os esforços financeiros necessários para tornar a Raízen sustentável”, diz o analista sênior da Balanz UK, Nicolas Giannone.
Segundo ele, isso significa que o valor de recuperação para os títulos deveria estar por volta de 70%, o que conversa com os preços atuais dos títulos que precificam recuperação de cerca de 50%.
De todo o modo, o plano ainda é tratado como uma possibilidade pelos investidores. “Claramente, há muitas variáveis neste plano e, talvez um dos elementos mais importantes é entender o que está em jogo para cada um dos que estão aportando capital”, diz Giannone.
Negociações devem levar algum tempo
Fontes próximas às companhias disseram que o plano ainda é o início de conversas que devem se arrastar por algum tempo, especialmente porque ainda há alinhamentos a serem feitos pelos acionistas – Shell, Cosan e o BTG Pactual, que está à frente da reorganização da Raízen e do grupo Cosan.
“O caso é complexo e grande, por isso demora a haver um alinhamento entre os acionistas, mas haverá, envolvendo posteriormente os credores para que se chegue ao desenho final, eventualmente, um plano de recuperação extrajudicial”, disse uma fonte com conhecimento do assunto.
A alavancagem da Raízen medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses subiu para 5,3 vezes no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26 (1º de outubro a 31 de dezembro de 2025), ante 3 vezes um ano antes. A dívida líquida avançou 43,4% na comparação anual, atingindo R$ 55,32 bilhões.
Agência Estado| Cynthia Decloedt e Talita Nascimento