Os preços do açúcar voltaram a cair na sexta-feira, pressionados pela perspectiva de manutenção de um excedente global da commodity. Em Nova York, o açúcar registrou o menor patamar em três meses, enquanto o mercado já acumula um movimento gradual de queda ao longo dos últimos três meses. Em Londres, o contrato mais próximo atingiu, na segunda-feira, o menor nível em cinco anos.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março teve queda de 0,16 centavo de dólar, ou 1,1%, indo a 14,11 centavos por libra-peso, após atingir uma mínima de 14,07 centavos por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo do açúcar branco caiu 0,9%, para US$ 404,40 por tonelada.
A expectativa de superávits globais persistentes segue como principal fator de pressão sobre as cotações. Na sexta-feira, a Unica informou que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26, até meados de janeiro, alcançou 40,236 milhões de toneladas, alta de 0,9% na comparação anual. No mesmo período, a proporção de cana destinada à produção de açúcar aumentou para 50,78%, ante 48,15% na safra 2024/25.
Na quarta-feira, analistas da trading açucareira Czarnikow afirmaram esperar um superávit global de açúcar de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente estimado em 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
Na quinta-feira anterior, a consultoria Green Pool Commodity Specialists projetou um superávit global de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27. Já a StoneX informou, na sexta-feira, expectativa de um excedente global de 2,9 milhões de toneladas em 2025/26.
Além disso, a India Sugar Mill Association (ISMA) divulgou, em 19 de janeiro, que a produção de açúcar da Índia entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 somou 15,9 milhões de toneladas, crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Em novembro, a entidade revisou para cima sua estimativa de produção indiana na safra 2025/26, elevando o volume projetado para 31 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 30 milhões, o que representa avanço de 18,8% na comparação anual.
A ISMA também reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de toneladas, ante projeção de 5 milhões feita em julho. Segundo a associação, essa revisão pode abrir espaço para um aumento das exportações indianas de açúcar. A Índia é o segundo maior produtor mundial da commodity.
Com informações de Barchart