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Preços do açúcar sobem com queda do dólar, mas perspectiva de oferta elevada continua pesando sobre o mercado

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Os preços do açúcar registraram alta na última quinta-feira, impulsionados pela queda do dólar, que atingiu sua menor cotação em uma semana. O movimento, que foi acompanhado por uma cobertura de posições vendidas em contratos futuros de açúcar, levou o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2026 a fechar com um aumento de 0,7%, a US$ 15,8 centavos por libra-peso. Por outro lado, o açúcar branco teve uma variação quase nula, encerrando o dia a US$ 440,60 por tonelada.

No entanto, apesar da alta recente, o mercado continua pressionado por perspectivas de uma oferta global robusta. O BMI Group projetou um excedente global de açúcar para a safra 2025/26 de 10,5 milhões de toneladas, enquanto a Covrig Analytics estima um superávit de 4,1 milhões de toneladas para a safra 2025/25. Esse cenário, combinado com a recuperação na produção de açúcar, especialmente no Brasil, tem mantido os preços sob controle, apesar das oscilações diárias.

De acordo com os dados mais recentes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil cresceu 10,8% na segunda quinzena de setembro, atingindo 3,137 milhões de toneladas. A quantidade de cana moída destinada à produção de açúcar também teve um aumento significativo, subindo para 51,17%, comparado a 47,73% no mesmo período de 2024.

Além disso, a expectativa de aumento das exportações de açúcar da Índia, alimentada pelas fortes chuvas da monção, também pesa no mercado. O Departamento Meteorológico da Índia relatou que as precipitações até o final de setembro foram 8% superiores à média histórica, marcando a temporada de monções mais forte dos últimos cinco anos. A produção de açúcar no país, segundo a Federação Nacional de Fábricas Cooperativas de Açúcar da Índia, deve aumentar 19% no ciclo 2025/26, o que se traduz em uma oferta adicional no mercado global.

Arnaldo Corrêa, analista de mercado e diretor da Archer Consulting, comentou sobre a situação atual do mercado, observando que, apesar da queda dos preços em Nova York, os contratos futuros das safras 2026/27, 2027/28 e 2028/29 apresentaram leve valorização em reais. A depreciação cambial foi o fator chave para esse movimento, evidenciando a volatilidade do mercado cambial e o impacto que ele tem sobre os preços internos, especialmente no Brasil.

Em relação ao cenário político e econômico internacional, Corrêa ressaltou que a incerteza gerada pelo “shutdown” nos Estados Unidos pode prolongar a prolongou a falta de dados sobre o comportamento dos fundos de investimento, já que o Comitê de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) ainda não publicou suas informações. Essa ausência de dados gera um ambiente de incerteza, com investidores apostando em um cenário de continuidade da baixa nos preços.

Segundo ele, no Brasil, o fim da moagem das usinas até o final de outubro pode gerar uma redução no fluxo de oferta física, o que poderia criar uma janela momentânea de sustentação para os preços. No entanto, o sentimento geral permanece negativo, com o mercado afetado pelas incertezas econômicas e políticas internacionais.

Corrêa concluiu dizendo que, embora o açúcar esteja sendo impactado por um cenário global desfavorável, os fundamentos do mercado físico e as ações dos fundos continuam a divergir, o que torna a situação ainda mais complexa para os operadores. A prudência, segundo ele, permanece como o melhor ativo em tempos de incerteza.

Natália Cherubin com informações da Barchart

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