Qual é a melhor hora para renovar sua frota de colhedoras?

Existem várias formas de se fazer o planejamento para renovação de colhedoras, mas o mais utilizado é considerando os princípios da engenharia econômica e aplicando-os para esse planejamento.

*Natália Cherubin

A idade média das colhedoras de cana-de-açúcar hoje chega a 3,9 anos, número que vem crescendo nos últimos cinco anos em função de uma demanda reprimida existente no mercado, face a alguns fatores como queda da produtividade agrícola e consequente queda da produção. Ou seja, empresas que pararam ou maximizaram suas atividades impactaram na redução do número de colhedoras circulantes em suas frotas.

Segundo dados coletados das próprias fabricantes, o mercado brasileiro de venda de colhedoras de cana chegou ao seu ápice em 2010, quando o setor comprou 1402 máquinas, número que chegou próximo em 2013, quando foram vendidas 1350 colhedoras. A partir deste ano até 2018, as vendas só caíram, com exceção de 2016, quando foram vendidas 910 colhedoras, o melhor ano até agora, 2019.

Segundo Dário Sodré, consultor da D2G, o mercado atual de colhedoras deve manter-se neste e no próximo ano com um viés de alta no total produzido e comercializado pela indústria no mercado doméstico brasileiro (Veja no gráfico 1).  “O TIV – Total Industry Value – não deve passar de 650 no ano de 2019 e de 730 máquinas no próximo exercício.

Disponibilizado por D2G Consultoria

Planejamento para a renovação de frota

Como as colhedoras de cana são máquinas de valor agregado alto – estima-se que o preço médio gire em torno de R$ 1 a 1,5 milhão –  fazer o planejamento para decisão ou não da renovação dessa frota é essencial.

Existem várias formas de se fazer o planejamento para renovação de uma colhedora, mas o mais utilizado é considerando os princípios da engenharia econômica e aplicando-os para esse planejamento.

Sodré explica que as colhedoras de cana têm um comportamento muito similar, tendo algumas variáveis intervenientes que dependem de vários fatores associados de cada empresa, entre eles a qualidade da manutenção de cada empresa.

“Uma colhedora de cana com uma vida útil ao redor de 5,5 anos de idade consome ao redor de 130% do seu valor de aquisição, descontando-se os impostos de ICMS quando aplicado. Esse valor tem um ângulo de inclinação ao longo de cada ano de operação. Em média, salvo condições customizadas, elas são renovadas com 5 a 6 anos de utilização associada a 18 mil horas trabalhadas em média e com uma produção acumulada de 650 a 900 mil t de cana colhidas”, explica Sodré.

Sendo assim, normalmente, o momento ideal é quando a máquina atinge ao redor dos seis anos de vida útil. Nesse ponto, de acordo com o consultor, temos o melhor momento para renovação tanto sob o ponto de vista técnico, quanto financeiro e econômico (Veja próximo gráfico abaixo).

Entretanto, isso é considerando as premissas do gráfico abaixo, visto que se considerar uma colhedora que trabalha menos que 2.500 horas por ano e produz menos de 100 mil toneladas de cana colhida, a vida útil em anos aumenta, mas o custo médio de CRM eleva-se significativamente.

“É possível observar que temos uma perda de produção por menor horas trabalhadas das máquinas, que é inversamente proporcional a elevação do CRM. Valores residuais não devem ser considerados, visto que eles chegam normalmente a 10% do valor de compra”, explica Sodré.

Fatores macro interferem no CRM

 Só para se ter uma ideia, 75% dos desgastes das peças e componentes das colhedoras de cana são substituídos por desgastes provocados por abrasão. Segundo assim, de acordo com Sodré, por melhor que seja a qualidade de manutenção aplicada nestas máquinas, existem os fatores macro como tipo de solo, velocidade de operação, entre outros que irão intervir no CRM das colhedoras de cana.

“Acredito muito que aquela reforma anual, geralmente realizada no final da safra, tem que ser abolida dos planos de manutenção das empresas. Deve-se fazer uma manutenção linear e diferida ao longo do ano. Com isso, consegue-se ter uma melhor regularidade e uniformização da disponibilidade operacional dos equipamentos”, conclui o consultor.

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